ARTIGO | Suco: prazer e felicidade

É possível, sendo portador da doença do alcoolismo, não ser dependente do consumo de bebida alcoólica? Com o uso imoderado de álcool, por longo período, instalei em meu organismo uma doença incurável. Há mais de dez anos não tomo bebida alcoólica. Deixei de ser dependente. Continuo portador da doença. Tenho certeza de que, se ativá-la, bebendo, recairei. Vivo não apenas abstêmio, mas sóbrio. Troquei o prazer momentâneo da ingestão de álcool pela felicidade de viver em sobriedade. Tomando sucos, sinto prazer e sou feliz.

MOTIVAÇÃO

O leitor desta publicação pode se perguntar o que ganhei a escrevendo. Aparentemente, faço uma divulgação dos benefícios com o consumo de sucos de frutas, enfocando, principalmente, os originários de uvas. Se parece promoção de um segmento econômico, é normal que os leitores queiram saber quem está pagando pelo trabalho. Não receberei nenhuma compensação financeira. Ninguém patrocinou esta publicação. Foi inteiramente custeada por mim. A reprodução está autorizada sem qualquer ônus.

Poderá o leitor se perguntar: o que o Odacir ganha dedicando seu tempo, recursos materiais e se expondo sem auferir nenhum resultado financeiro? Depois de muito refletir, achei que tenho o dever de entregar à leitura este pequeno texto. A dimensão de seus reflexos virá do interesse das pessoas em divulgá-lo, imprimindo-o ou publicando-o, total ou parcialmente, em redes sociais. A eventual falta de interesse não será resultado de minha omissão.

Escrevo não com o intuito de transmitir rebuscados conhecimentos, mas os resultados de sofrimentos meus e de minha família. Quero, também, salientar que chegar à felicidade – que não é mero prazer – depende de nosso esforço. Escrevi com prazer, buscando concorrer para que você e eu sejamos felizes.

No livro “Conversando com os Netos” – Aldeia Sul e Gráfica Berthier – afirmei que a inspiração para que eu escrevesse tinha origem no texto do Apocalipse, 3,16: “Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou pronto a vomitá-lo de minha boca.” Repito o que afirmei naquele texto: não quero ser morno!

ALGUNS FATOS

Sou católico praticante. Muitas vezes, no momento da Comunhão, em vez da hóstia o comungante recebe uma partícula a ser embebida em vinho ofertado separadamente. Sempre pego tal partícula e não a molho no vinho,  causando alguma surpresa aos circunstantes. No entanto, por saber que sou alcoolista, conheço o risco de “recair”. Por isto, não coloco bebida alcoólica em meu organismo, mesmo que em mínima quantidade.

Certo dia, em uma missa, na paróquia do Divino Espírito Santo – em Brasília – peguei a partícula, olhei para o padre – homem idoso – e lhe disse que não poderia tomar vinho por ser alcoolista. No final da celebração ele me chamou e disse: – Eu também não posso tomar bebida alcoólica. Quando ingeria fui até hospitalizado. Por isto, uso suco de uva na celebração.

Fiquei pensando: o suco é de uva, tem o sabor dela e, identicamente ao vinho, é “fruto da videira”. Em outra ocasião, me submeti a um check up de rotina. Após os exames médicos fui encaminhado a uma nutricionista que, de forma sábia, não dava ênfase aos alimentos e bebidas que deveriam ser evitados, mas estimulava o consumo dos benfazejos. Tornava superlativa a recomendação de uso, o que fazia menos penosa a restrição. Recomendava saborosa dieta, mantendo as restrições alimentares convenientes.

Em certo momento me disse: Recomendo que, no almoço ou no jantar, você tome vinho, moderadamente, pois os efeitos terapêuticos são ótimos. Respondi que não poderia, explicando os motivos. Ela então me disse: Você pode substituir vinho por suco de uva, também com reflexos positivos para sua saúde.

Abordei o assunto com meu amigo Hermes Zaneti, que, dentre posições importantes desempenhadas no Legislativo e em entidades de representação, foi presidente da Cooperativa Vinícola Aurora e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados.

O mesmo me estimulou a escrever sobre o tema. Sugeriu que eu contatasse com Carlos Paviani diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho – Ibravin – para que me ensejasse contatos com o doutor Jairo Monson de Souza Filho – cardiologista em Garibaldi, no Rio Grande do Sul – e a doutora Caroline Dani – biomédica e professora universitária.

O doutor Jairo é conceituado profissional e escreve, inclusive para publicações internacionais, sobre os efeitos benéficos para a saúde do uso de bebidas derivadas de uva.

A doutora Caroline Dani atua, no âmbito acadêmico – é professora do Centro Universitário Metodista do IPA – com um grupo que pesquisa os reflexos da ingestão do suco de uvas, com publicações internacionais.

Ambos são profissionais de notória qualificação e altamente respeitados. O senhor Edgar Sinigaglia Junior, do Ibravin, com muita cordialidade me ensejou contatos com o doutor Jairo e a doutora Caroline.

Com o primeiro mantive longa conversa telefônica e com a segunda uma reunião em Porto Alegre. Ambos enviaram-me trabalhos seus que foram publicados em qualificados espaços editoriais, inclusive no exterior.

No entanto, embora estivesse pesquisando para escrever, não estava praticando o que sabia ser importante, ou seja, consumindo sucos, principalmente de uvas, com vistas a benefícios para minha saúde.

Agia contrariando o ensinamento de Tiago (2:14 -17): “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras.

No dia 14 de setembro de 2014 – domingo – em um final de tarde, tive muita dor no peito. Recebi os primeiros cuidados no plantão médico da Câmara dos Deputados, de onde fui conduzido para o Hospital do Coração do Brasil e na manhã seguinte submetido a um cateterismo, que resultou em uma angioplastia, com a colocação de um stent, com a competente ação dos cardiologistas intervencionistas Luciano Liberato, Edmur Araújo e Alberto Fonseca.

Após intervenção, passei alguns dias em Porto Alegre, onde me submeti a consulta com meu amigo e renomado cardiologista – escritor de diversas obras – Fernando Lucchese. Ele me sugeriu exercícios, a leitura de bibliografia e sua lavra sobre dieta e o consumo moderado de vinho. Não se lembrava de meu passado problema com bebida alcoólica.

Disse-lhe que não poderia tomar vinho, sob o risco de recaída, mas falei-lhe da sugestão anterior sobre a substituição por suco de uva, com o que concordou plenamente. A partir dali, faço minhas caminhadas diárias, aprimorei os cuidados com alimentação, procuro tomar sucos, principalmente de uva, e estou muito bem, em plena atividade.

DOUTOR JAIRO MONSON DE SOUZA FILHO

O doutor Jairo, como cardiologista, recomenda o uso moderado de vinho por quem pode ingeri-lo e salienta os benefícios para a saúde do consumo do suco de uva.

– Penso que o suco de uva, pela sua constituição, é um alimento e uma bebida para ser ingerida antes, durante e após situações de grande consumo de energia. O vinho é extraordinariamente adequado para ser consumido moderadamente junto com as refeições, para melhorar o desempenho físico e mental, o metabolismo como um todo e prevenir doenças degenerativas.

– O suco de uva, além de ser um excelente energético natural, tem quase todas as propriedades do vinho sem ter o álcool. Isso é uma dádiva, porque permite que crianças e pessoas que não querem ou não podem consumir álcool usufruam tranquilas das muitas benesses do vinho.

– A uva é uma das frutas mais doces e calóricas: contém cerca 15 a 17 gramas de glicose e frutose e 70 calorias para cada 100 gramas de fruto. O importante é que os açúcares da uva são de assimilação rápida, isto quer dizer: o seu uso é priorizado pelo organismo nas reações metabólicas, impedindo, desse modo, que se acumule no organismo. O seu suco é muito útil como reconstituinte metabólico/energético – ideal para crianças e, até mesmo adultos, durante ou após atividades ou situações de grande consumo de energia, tanto físicas como intelectuais.

– A presença de vitaminas do Complexo B (principalmente B1, B3 e B5) e Vitamina C, além de sais minerais, eletrólitos e outros oligoelementos como o sódio, cloro, potássio, cálcio e ferro, são de grande importância. Eles são fundamentais na formação e preservação dos ossos, sangue, cérebro e nervos. Também são os grandes responsáveis pela mecânica muscular. tudos médicos ainda atribuem ao suco de uva um efeito neuroprotetor e neurorregenerador. Ele é capaz de melhorar a função cognitiva e motora. Isso tudo é essencial na fase do crescimento e na senilidade.

– O sumo do fruto da videira tem ainda quantidades apreciáveis de polifenóis. Eles são muito relevantes para a saúde – são os maiores responsáveis pelas principais virtudes terapêuticas e profiláticas desta bebida.

O suco de uva diminui e retarda o aparecimento de doenças relacionadas com a idade como Mal de Alzheimer e outras demências; alguns tipos de cânceres e outras doenças degenerativas. Isso porque melhora a comunicação neuronal e reduz o estresse oxidativo que ocorre no envelhecimento.”

 DOUTORA CAROLINE DANI

A doutora Caroline Dani, em pesquisa que realizou, juntamente com Edilson da Silva Pereira Júnior1 , Niara da Silva Medeiros2 e Cláudia Funchal3 – “Suco de uva: fonte de compostos bioativos com benefícios à saúde” – afirma:

– Estudos vêm investigando e verificando os benefícios à saúde associados com a ingestão derivados. Dentre estes, o suco de uva vem ganhando destaque, pois é rico em compostos bioativos, em compostos bioativos, além de ser uma bebida de fácil acesso a toda população. 

– O suco de uva é uma bebida não alcoólica obtida a partir do mosto das uvas Isabel e Bordô, variedades Vitis labrusca, mais especificamente na Serra Gaúcha.

– Os sucos de uva apresentam na sua constituição química uma diversidade de substâncias com ações benéficas ao organismo, como os compostos fenólicos, entre eles os não-flavonóides, por exemplo o resveratrol e os flavonoides, procianidinas, catequinas, quercetina e epicaterquina.

– Estes componentes presentes na uva são capazes de neutralizar os radicais livres e/ou espécies reativas, minimizando o também as antocianinas, procianidinas, catequinas, quercetina e epicaterquina. Estes componentes presentes na uva estresse oxidativo.

 

–  O estresse oxidativo está envolvido em diversos processos fisiológicos e são capazes de neutralizar os radicais livres e/ou espécies reativas, minimizando o estresse oxidativo. O estresse patológicos no organismo, tais como, fatores múltiplos do envelhecimento, doenças oxidativo está envolvido em diversos processos fisiológicos e patológicos no organismo, tais como, fatores múltiplos pulmonares (enfisema), além de ser um dos vários fatores desencadeantes de doenças neurológicas como Doença de Parkinson, esclerose múltipla e Doença de Alzheimer.

– Além da capacidade antioxidante, regular do suco de uva na melhora da função do endotélio, redução do colesterol total e diversos trabalhos têm relatado os benefícios do consumo regular do suco de uva na melhora da função do endotélio, colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), entre outros.”

 

Em trabalho assinado pela doutora Caroline Dani, em conjunto com os pesquisadores Lívia Soldatelli Oliboni, João Antônio Pegas Henriques e Mirian Salvador, intitulado “Suco de Uva e seus Componentes”, destaco o “resumo” inicial e dois gráficos de alto conteúdo científico referentes às diferentes variedades de sucos de uva.

RESUMO

Dados experimentais têm sugerido que, cada vez mais, o dano oxidativo celular tem um relevante papel fisiopatológico em vários tipos de doenças humanas, tais como aterosclerose e câncer. Para minimizar o estresse oxidativo, nossas células desenvolveram um complexo mecanismo redox, constituído tanto de componentes enzimáticos quanto de não-enzimáticos. Além disso, a dieta, especialmente o consumo de frutas e vegetais, também tem um papel importante na manutenção do equilíbrio fisiológico de redox. Esses tipos de alimentos provêm vários antioxidantes, entre eles os compostos fenólicos. As uvas são ricas em compostos fenólicos, entre eles os flavonoides (catequina, epicatequina, quercetina, antocianinas, procianidinas), e os não-flavonóides, entre estes o resveratrol (3,5,4’-trihidroxi-estilbeno), que são principalmente encontrados em produtos derivados da uva tinta. Neste capítulo analisamos os principais componentes do suco de uva tinta e branca e seus benefícios para a saúde. Todos os resultados sugerem que sucos de uva induzem uma importante atividade antioxidante, antiplaquetária, antitumoral e antimutagênica e este pode ser um assunto importante para investigações adicionais na área de alimentos funcionais.

ALCOOLISMO

Já mencionei que a nutricionista me sugeriu tomar vinho. Como é uma profissional responsável, isto significa que nem todas as pessoas estão impedidas de sua ingestão.

O Dr. Fernanco Lucchese, cardiologista com renome internacional, também sugeriu, de forma responsável. Eu, no entanto, não posso tomar bebida alcoólica, sob pena de recaída. O padre a quem me referi usa suco de uva em lugar de vinho, na celebração eucarística, por não poder ingeri-lo. O doutor Jairo Monson de Souza Filho, respeitado cardiologista, sugere o uso apenas moderado de vinho e recomenda, também, beber suco de uva.

Se alguns podem ingerir a bebida alcoólica e outros não, a pergunta é: quem pode e quem não deve fazê-lo?

Sempre que faço palestras sobre o tema, afirmo ter certeza de que a quase totalidade dos presentes conhece pessoas com quatro reações diferentes perante o uso de bebida alcoólica.

As primeiras rejeitam-na. Seus organismos são antialcoólicos. Beber, mesmo em pequenas quantidades, causa-lhes desconforto físico. Diante disto, não bebem e não correm o risco de se tornarem dependentes de álcool.

As segundas podem beber moderadamente. Não são compulsivas no uso da bebida. Têm controle. Com relação a estas, sempre lembro que meu falecido sogro gostava de tomar um pouco de vinho no almoço. Alimentava-se e tomava. Não continuava – após o almoço – comendo arroz, feijão, salada ou carne e nem tomando vinho.

No meu caso, se tomasse um copinho com a bebida, o organismo iria pedir mais. Não continuaria comendo após o almoço, pois estaria saciado, mas tendendo à continuidade no uso da bebida, por compulsão.

As terceiras são pessoas que sentem profundo prazer com a ingestão de bebida alcoólica. Normalmente, têm insuficiência de endorfina – que é uma morfina interna – e o agente externo – bebida – causa-lhes a sensação de bem estar. O organismo pede cada vez mais. Iniciam tomando um pouco, mas seguidamente chegam ao “porre”. São beberrões em jantares, festas e outros eventos. Como, no entanto, não bebem todos os dias, seus organismos não se tornam dependentes do álcool.

Já ouvi, muitas vezes, pessoas dizerem que alguém não bebe todos os dias, mas toma um porre a cada final de semana. Diferentemente das primeiras, cujos organismos rejeitam álcool e das segundas, que podem beber moderadamente sem rejeição ou euforia, as terceiras pessoas têm o sinal amarelo aceso. Se passarem a beber com habitualidade, instalarão em seus organismos alcaloides que neles permanecerão. Aí surgem as quartas, que são dependentes do consumo de bebidas alcoólicas.

Os alcaloides instalados no organismo são hóspedes que não abandonam a hospedaria de nenhuma forma. Se forem alimentados, tomam conta. Se não forem, não morrem e não há como expulsá-los. Ficarão em estado de inércia.

Tive experiências. Algumas vezes fiquei sem tomar bebida alcoólica por longos períodos. Em uma delas, por quase dois anos. Quando achava que poderia tomar um “pouquinho”, o organismo pedia mais e recaía. A recaída é terrível, pois parece que o hóspede que estava instalado no organismo sem seu alimento quer tirar o atrasado.

Na recaída, há uma absoluta falta de controle e ocorre vontade de beber até pela manhã. A pessoa torna-se alcoolista, ou seja, portador da doença do alcoolismo. A doença foi instalada no organismo pela ingestão da bebida alcoólica e é incurável.

O alcoolista é doente. Alcoólatra é o viciado – dependente – e o vício pode ser combatido. Não tomo bebida alcoólica há mais de dez anos e não sinto falta. Podem beber na minha frente sem qualquer desconforto para mim. Sei, no entanto, que se ingerir bebida alcoólica encaminho-me para a recaída. Nem vinagre na salada coloco. Vivo não apenas abstêmio, mas sóbrio.

A abstinência é o não uso da bebida. Muitos estão abstêmios, mas continuam desejando beber. A sobriedade é o estado de absoluto controle, gerando felicidade. Quem bebe compulsivamente sente prazer, mas, normalmente, não só é infeliz como infelicita a vida dos que o cercam.

Neste ponto, poderão perguntar: quem faz o diagnóstico para afirmar que o cidadão está doente e que não deve ingerir álcool? Entendo que é o próprio usuário. Os outros sabem de sua dependência e sofrem, por solidariedade. O usuário, no entanto, tem que, com clareza, entender que o primeiro gole tira-lhe o controle e que depende exclusivamente dele dizer “parei”.

É óbvio que estando intoxicado deve procurar um socorro médico visando à desintoxicação. O gesto de busca da abstinência para chegar à sobriedade é da própria pessoa. Quem conseguir isto trocará o prazer momentâneo pela felicidade.

Parece-me que fica claro o fato de não haver contradição em especialistas sugerirem o uso de vinho, até para efeitos terapêuticos. No entanto, quem sentir que sua ingestão leva a agir compulsivamente, desejando beber cada vez mais, precisa tomar cuidado.

Não há, porém, restrição ao uso do suco da fruta. Usá-lo garante prazer, saúde e felicidade.

PRAZER E FELICIDADE

Busquei definições para os vocábulos “prazer” e “felicidade”. Concluí, de forma sintética, após examinar opiniões, que prazer é uma sensação momentânea de bem-estar. Felicidade é um estado de paz interior, não apenas circunstancial.

Muitos prazeres podem resultar em infelicidade. Ingerir bebida alcoólica – a não ser por aquele cujo organismo a rejeita – causa prazer pelo bem-estar momentâneo gerado.

Beber imoderadamente pode resultar em infelicidade, não apenas para o agente ativo, mas para familiares e outras pessoas de suas relações.

A ressaca moral gera profunda tristeza. O bebedor abusa do prazer, gerando infelicidade para si e para os outros.

Quem bebe suco sente prazer, sem risco de geração de infelicidade. Estimula resultados positivos para sua saúde. A sensação momentânea de bem-estar pode criar ou aumentar o estado de paz interior, com felicidade não apenas para si, mas para outras pessoas com quem a reparte.

O prazer pode ser ato de mero egoísmo, refletindo negativamente nas outras pessoas. A felicidade será irradiada positivamente no ambiente familiar e pessoal. Repito: quem, após o primeiro gole de bebida alcoólica, sente necessidade de beber compulsivamente, transformará o prazer em infelicidade para si e para outras pessoas.

DEPENDÊNCIA

Se alguém me perguntar como diagnosticar a dependência do álcool, responderei, sem rigor científico, mas como resultado de sofrimentos e muitas leituras, que é dependente, quem:

a) prioriza o consumo de bebida alcoólica, ficando ansioso por ingeri-la;

b) bebe imoderadamente, após o primeiro gole;

c) pensa que pode abusar da bebida sem consequências.

O dependente sente necessidade de beber. Seu organismo exige a ingestão de bebida. Bebendo, perde o controle. Causa infelicidade para familiares e amigos. Tem profunda vergonha da “ressaca moral” – que procura superar atendendo ao apelo orgânico e bebendo novamente.

Mas é possível parar.

Na primeira hora, repito, é necessária a ajuda profissional, pois o organismo está intoxicado e o alcóolatra emocionalmente desequilibrado.

Buscar grupos de ajuda também é importante. No entanto, é fundamental adquirir consciência de que depende de si ser feliz e concorrer para a felicidade dos outros.

Conseguindo parar, deve ter consciência de que a doença, embora inativada, continua viva no organismo.

É preciso, por isto, evitar o primeiro gole para não recair. Sou insistente em lembrar que a recaída tem efeitos terríveis, pois o hóspede indesejado, recebendo alimento, busca recuperar o tempo de inatividade.

COMO VENCER

“O homem é senhor de seus atos, tanto de querer como não querer.” Santo Tomás de Aquino

Antoine de Saint-Exupéry, em seu livro Terra dos Homens, relata o episódio da queda, na geleira dos Andes, do avião que seu colega de correio aéreo, Guillaumet, pilotava. Descreve a luta do piloto acidentado, durante dias, para sobreviver.

Dentre os relatos de Guillaumet, parece-me que são significativos os trechos que transcrevo, para demonstrar não apenas coragem e pertinácia, mas lições de vida:

– Na neve a gente perde todo o instinto de conservação. Depois de dois, três, quatro dias de marcha tudo o que se deseja é o sono. Eu o desejava. Mas ao mesmo tempo pensava: Minha mulher… se ela crê que estou vivo, ela crê que estou andando. Os companheiros crêem que estou andando. Serei um covarde se não continuar andando. E andava. Cada dia alargava um pouco mais, com a ponta do canivete, um corte na costura da botina, para que os pés gelados, inchados, ainda pudessem caber ali dentro.

– Em cada parada eu me empobrecia. O que salva é dar um passo. Mais um passo. É sempre o mesmo passo que se recomeça. O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, era capaz de fazer.

Guillaumet sobreviveu. Seus amigos e familiares ficaram felizes. O dependente precisa ter consciência de que, desintoxicado, é senhor de seus atos, na palavra de Santo Tomás de Aquino. Pode pensar: caí, mas levantarei, pois minha família espera que eu me salve caminhando, a partir do primeiro passo e com os subsequentes, para chegar à vitória.

Todos podem apoiar o dependente para que vença a batalha, estimulando-o a buscar ajuda e demonstrando-lhe a importância de ser feliz e irradiar felicidade para seus semelhantes. No retorno ao âmbito familiar e social, inteiro e vivo, será um vitorioso e terá sua vitória aplaudida.

Tomando suco de uva, como faz na celebração o padre que não pode ingerir vinho e como me sugeriu a nutricionista, terá momentos de prazer, geradores de felicidade. A vida terá sabor agradável de restauradora conquista.

O SUCO DO PRAZER QUE GERA FELICIDADE

Aparentemente, divulgo os benefícios do suco de uva como se fosse mero substituto do vinho. No entanto, muitas pessoas não impedidas da moderada ingestão de vinho, sem risco de dependência, podem tomar suco de uva em quantidades maiores e a qualquer momento do dia.

As opiniões científicas mencionadas neste trabalho demonstram que, para a saúde, a ingestão de suco é importante. Será prazerosa e não apresentará implicações negativas.

Se me perguntarem por que minha decisão de publicar o presente texto – até aparentando ingenuidade – responderei que não quero ser feliz sozinho. Seria egoísmo não transmitir aos meus semelhantes que vencer é possível.

Escrevi este texto por viver absolutamente sóbrio e com condições não apenas de discernir, mas, com segurança e livre arbítrio, decidir o que me parece importante fazer.

Minha gratidão aos que lerem e, julgando conveniente, divulgarem este conteúdo. A divulgação, por qualquer meio, está inteiramente autorizada.

Odacir Klein é advogado e técnico em contabilidade. É filiado ao PMDB e já foi Ministro dos Transportes, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Atualmente reside em Brasília e exerce as atividades de advogado e consultor empresarial e, também de Presidente da Ubrabio – União Brasileira do Biodiesel e coordenador e colunista do Fórum do Milho.

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