BEBIDAS | Na temperatura certa

Cada bebida tem a sua temperatura mais adequada para ser apreciada. Há duas razões importantes para isso: as sensações de boca e de nariz. Sensações, porque não se resumem a gustação e olfato, mas inclui as sensações táteis também. Por exemplo: quanto mais alta a temperatura, mais sentimos o álcool e o picante; quanto mais baixa, mais se destacam o ácido e o amargo. Com essas dicas já dá para entender certas coisas. Um vinho tinto encorpado, quente demais (acima de 20C), chega a queimar a língua pela sensação alcóolica; se for gelado demais, a sua adstringência e acidez dominam a boca e chegamos a senti-lo amargo – mesmo acontecendo com cervejas mais encorpadas, como Strong Ale, Trippel e Barley Wine. A temperatura correta nos faz sentir a melhor harmonia da bebida, por isso varia em função dos diferentes teores alcoólicos e dos outros aspectos.

Como criadores da maioria das bebidas que conhecemos, os europeus criaram certos padrões e o seus padrões são baseados geralmente na temperatura ambiente. O problema é que a temperatura ambiente de, por exemplo, Goiânia segue padrões um pouco diferentes daquelas europeias. Sem contar que a tal “temperatura ambiente” dos manuais, diz respeito à temperatura ambiente das caves. Ou seja, estamos falando algo em torno dos 16 graus Celsius – muito mais baixa que a média de temperatura brasileira. Não podemos nos descuidar e beber um vinho tinto ou uma cerveja encorpada exageradamente quente, portanto.

Além de guardarmos as garrafas de nossas bebidas a uma temperatura diferente dos europeus, bebemos num ambiente diferente também. De tal sorte que habituamos o nosso paladar a bebidas servidas a uma temperatura mais fresca, ajudando a amenizar o calor tropical – ou subtropical, no caso dos sulistas. Não é incomum ouvir de brasileiros que visitam Londres, por exemplo, que se bebe a cerveja quente lá. Como brasileiro, pode-se até considerar que o serviço do bar é muito ruim, afinal, aqui, estamos acostumados a pedir a cerveja mais gelada que houver no bar. Nada melhor para refrescar e enganar a sede, mas não para apreciar uma boa cerveja.

Como a maioria de nós não é sommelier profissional, não andamos com termômetros nos bolsos. Seguem algumas dicas, que dispensam termômetros, para apreciar vinhos e cervejas nas temperaturas mais próximas das ideais:

– Vinhos tintos e cervejas encorpadas:

Quando se lê nos manuais e rótulos que devem ser bebidas a temperatura ambiente, entenda-se que a temperatura deve estar entre 16 e 18 C. Num dia mais quente (com temperaturas acima dos 25C), para que degustemos a essa temperatura, é preciso refrescar um pouco mais a garrafa, por volta de 12 C. Assim, esquentando um pouco na taça chegará facilmente aos 16C. Por conta de nosso hábito com cervejas geladas, se estiver um pouco abaixo dos 16 C, talvez apreciemos mais. Deixe a garrafa do seu vinho ou de sua cerveja num balde de gelo por 15, 20 minutos e conseguirá a temperatura adequada.

– Vinhos brancos, cervejas claras e espumantes:

A temperatura ideal para essas bebidas é mais fresca. Mas lembre-se, nunca devem ser bebidas abaixo dos 5 C. Temperaturas muito baixas impedem que os aromas se desprendam da taça em toda a sua complexidade e amortecem as suas papilas gustativas. Geladeiras a temperaturas negativas só servem para disfarçar a baixa qualidade de certas bebidas. Coincidentemente, 5 C é aproximadamente a temperatura da geladeira de sua geladeira, se quiser refrescar um pouco mais a bebida compensar o quanto ela vai esquentar na sua taça, ao tirar a garrafa da geladeira deixe por cerca de 5 minutos num balde de gelo.

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