CAFÉ | Um café com história

Parque Lage

Era uma vez um homem apaixonado que, como todo homem apaixonado, queria sua amada por perto. Mas o que fazer quando o homem apaixonado é um brasileiro e a amada em questão é italiana? Se essa história se passasse nos dias de hoje, eles certamente se falariam por Skype ou WhatsApp todos os dias. Mas como estamos falando do século passado, mais precisamente de 1920, nada disso era possível.

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Sem a tecnologia à disposição, Henrique Lage fez o que estava ao seu alcance (e que não era pouco, diga-se de passagem): comprou uma fazenda aos pés do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, e chamou um arquiteto italiano para deixá-la à altura da sua amada, a cantora lírica Gabriella Besanzoni. Deu certo! Gabriella veio de mala e cuia, como se diz no Rio Grande do Sul, para o Brasil. Se eles viveram felizes para sempre? Não exatamente… Mas nos deixaram um dos lugares mais incríveis para conhecer no Rio de Janeiro.

O Parque Lage (fotos: Mariana Pessin)

O Parque Lage (fotos: Mariana Pessin)

Enquanto ainda era o lar, doce lar, de Gabriella e Henrique, a propriedade serviu de sede para a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro e sediou festas grandiosas da família Lage. Mas Henrique, que era empresário, se endividou e precisou entregar a chácara e tudo o que ali tinha ao Banco do Brasil, para quitar dívidas. Em 1957, a propriedade foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E, desde 1975, abriga uma escola de artes visuais.

Lá ainda estão o aquário em forma de gruta feito em argamassa, uma torre construída para Gabriella cantar, caminhos pelo meio da mata (alguns levam até o Corcovado) e sua obra principal: o palacete central. Depois de sediar festas na década de 20, seu pátio interno, com piscina a céu aberto, serviu até de cenário para o nada romântico Snoop Dogg gravar o clipe de Beautiful, no Brasil (veja abaixo).

A antiga propriedade da família Lage virou um parque público – o Parque Lage. E, como se não bastassem tantos motivos para visitá-lo (história, arquitetura, natureza…), lá ainda tem um café: o PLage, onde dá pra tomar café da manhã, fazer um brunch, almoçar, curtir um lanche à tarde… tudo com essa vista:

Nem um dia nublado estraga essa vista...

Nem um dia nublado estraga essa vista…

Pra quem acorda com fome, tem um café da manhã completo. Eu optei por algo mais light (se é que há algo de light nesse meu pedido): suco de laranja, café, bolo e uma cesta com mini croissants, brioches e pain au chocolat.

Meu café da manhã "light"

Meu café da manhã “light”

Um turno é suficiente para conhecer o Parque Lage e o PLage Café. Já pra saber como terminou a história de Henrique e Gabriella é preciso um pouco mais de tempo e pesquisa. Quer mesmo saber? Tá bom, eu conto! Em 1941 Henrique morreu, deixando Gabriella viúva, sem filhos e sem parte do seu patrimônio. Assim, ela voltou pra Itália, onde ensinou canto e viveu de forma bem mais modesta até morrer, 20 anos depois.

O final deles não foi muito feliz, mas a obra construída por ele para ela faz, até hoje, a alegria de cariocas e turistas que visitam o parque todos os dias… E que saem de lá apaixonados por ele. No fim das contas, é ou não é uma história de amor?!

Quer ler mais sobre o Parque Lage? Dá uma olhada na visão que uma arquiteta teve de lá:
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  • A famosa piscina interna do Parque Lage
  • Café da manhã no PLage Café
  • Trilhas pela mata com jacas e macaquinhos
  • Mariana Pessin, jornalista

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