CERVEJAS | O movimento cervejeiro e a diversidade

A pirâmide de aço e vidro construída na frente prédio medieval do Museu do Louvre é o maior símbolo dos nossos tempos. Foi a partir daí que teóricos da arquitetura cunharam o termo pós-modernidade. Conceitualmente, difícil de se engolir; esteticamente, uma harmoniza fácil de se apreciar. Velho e novo, opaco e translúcido, fosco e brilhante, caminhos tortuosos e linhas retas, complexidade e minimalismo geram a beleza de se viver no momento histórico em que o mundo ocidental mais teve consciência da importância da paz.

Filósofos, sociólogos, antropólogos e outros metidos a sabichões discutem em que Idade vivemos. Pós-modernidade é o termo que mais pegou, mas há quem diga que vivemos a hiper-modernidade e alguns falam em ultra-modernidade. Há algum consenso de que a Modernidade ficou para trás em algum momento entre meados do século passado e o presente momento e é isso que importa. Se a modernidade foi caracterizada pela ruptura radical com o passado, vivemos, agora, uma época de reconciliação – pela primeira vez os movimentos históricos e culturais majoritários admitem não apenas a coexistência, mas tratam de defender ideias alheias como suas.

No último fim de semana, milhões de usuários das redes sociais coloriram as suas imagens de perfil para celebrar que os Estados Unidos da América – anos depois do Brasil, França, Espanha, Reino Unido, dentre outros países civilizados – reconheceram o direito de qualquer cidadão daquele país casar-se com quem bem entender. Não posso falar por todos, mas tenho a impressão de que a maioria das pessoas que se manifestou a favor do direito de casamento livre não é homossexual. A manifestação de todas essas pessoas foi, a meu ver, em favor da diversidade, da convivência harmoniosa.

O mesmo ocorre com o mundo cervejeiro. O movimento de cervejeiros caseiros não quer ver o fim das mega empresas, nem os microcervejeiros querem que os amadores deixem de produzir suas próprias cervejas em suas panelas. O movimento cervejeiro é um movimento contemporâneo, que entende  importância da diversidade. Só há espaço para ser contra o fim da diversidade, todo o resto vale.

Brindemos, portanto esse mundo colorido, cada um om a bebida que lhe parecer mais apropriada – afinal, não queremos nem mesmo que a cerveja seja unanimidade.

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