BEBIDAS | Cervejas rock’n roll

Estrear no mundo das cervejas artesanais exige um espírito de descoberta. A variedade de tipos e marcas é grande e crescente – especialmente quando comparamos com a meia dúzia de cervejas de baixa qualidade que as multinacionais nos empurram. Todo dia surgem novos cervejeiros amadores (no melhor sentido que a palavra pode ter), que produzem cervejas ao seu gosto nas suas casas para compartilharem com amigos; microcervejarias de alta qualidade; e, consequentemente novas marcas. A variedade é tão grande, que é bastante difícil encontrar algum tipo de classificação. Uma possível é a cerveja musical.

 

Sim, isso mesmo, cerveja musical. Até onde sei, elas não são produzidas ao som de qualquer tipo de música, mas levam a assinatura de alguma banda mais ou menos conhecida. As bandas de rock (considerando-o como uma categoria bem ampla) são as campeãs. Pode-se encontrar no mercado uma série delas. Tenho alguma dúvida se a razão de tais novidades é mais uma expressão artística, de um estilo de vida defendido pelos músicos ou se são uma alternativa econômica em tempos de grandes dificuldades para se venderem discos. Segue uma pequena lista com meus comentários:

Camila, Camila: A música narra uma paixão adolescente e a cerveja representa bem esse espírito. A pílsen, produzida pela excelente cervejaria Bamberg e sob supervisão do grande apreciador de cervejas e baterista da Nenhum de Nós, Sady Homrich, é uma grande cerveja. Assim como adolescentes, as cervejas pílsen não tem um grande corpo, nem são muito complexas. Essa pílsen não é tão leve assim, mas pode ser uma encantadora companhia para uma noite de calor.

Raimundos: A Helles é nada complicada, mas é perfeitinha. É uma cerveja de baixa fermentação, como as pílsen. Segue o estilo leve e descomplicado, mas com aromas um pouco mais complexos e um corpo mais interessante. Pra quem tá contente com as malvada, achando que é o tal, apareceu essa coisinha. Vale a pena. Ao menos dá um selinho.

Sepultura Weizen: Não entendo por que escolheram uma Weizen – cerveja de trigo de alta fermentação. Sou fã das weizen e gostei muito dessa cerveja, do seu frescor e do seu aroma típico de banana. Mas, do Sepultura, eu esperava um Barley Wine (vinho de cevada, cervejas extremamente alcoólicas e potentes). O pessoal da Bamberg caprichou, a cor da cerveja é um pouco mais escura que as habituais e mais encorpada.

Matanza: Essa cerveja é meio endiabrada, poderia ter aparecido antes aqui. Das cervejas de hoje, acredito que seja a que tenha conseguido mais bem traduzir o estilo da banda na cerveja. A começar pela alta qualidade (musical da banda e técnica da cerveja), sem perder o bom humor(nas letras das músicas e no rótulo da cerveja. Uma IPA de respeito.

AC/DC:
Se você gosta da banda, continue escutando as músicas – essa cerveja não faz falta na vida de ninguém. A cerveja é boa, mas não tem coisa alguma que justifique o seu preço além da embalagem. Só vale a pena pra quem coleciona latinhas. Repito, uma boa cerveja, mas sem  nada de extraordinário.

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