CERVEJAS | Um diálogo surdo

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– O meu nome é Bizantina! Bizantina Escatamachia Pinto. O Pinto é do marido.

– Ai, meu Deus! Lá vem aquela velha…

– Tem um lugar diferente, lá depois da saideira. Quem é de beijo beija, quem é de luta capoeira…. É tanta solidão… Cerveja, cerveja, cerveja. Cerveeeeeja!

– Hoje nem vou falar pra não me incomodar.

– Apolônio, meu amiguinho! Que prazer inusitado o vê-lo…

– Chegou essa velha do inferno!

– Ah! Quer dizer que vocês toma cerveja no inverno?

– Por que essa velha não fica calada?

– Sim, sim, não pode ser muito gelada. Mas me diz uma coisa, Apolônio, cerveja quente não é

ruim?

– Meu Deus! Faça algo por mim, nem que seja por piedade.

– Claro! Tem que ser cerveja de verdade. E qual é a diferença entre cerveja de mentira e

cerveja de verdade?

– Se eu tivesse uma arma, apertava o gatilho.

– O milho! O milho! Só não entendi uma coisa: o milho vai na cerveja de mentira ou na cerveja

de verdade?

– Com tanta criatividade, não sei por que um circo não te contrata!

– Entendi: o milho vai na barata. Mas eu gosto tanto de milho, Apolônio…

– Você vive num mundo paralelo, disso você tem que ser convencida!

– Milho só na comida? Certo, melhor deixar o milho para a comida e beber cerveja de verdade.

Tenho uma curiosidade: se você bebe cerveja no inverno, que tipo de roupa usa?

– Para de gracinha.

– Calcinha? Mas que loucura! Por que um homem velho desse jeito usa calcinha?

– Pra te enfiar a mão na cara não falta tentação!

– O quê? Mas é um safado sem vergonha, mesmo. Eu vou-me embora.

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