CINEMA | Babenco lança Meu Amigo Hindu

Willem Dafoe, Hector Babenco e Maria Fernanda Cândido.

“Uma história que aconteceu comigo e a conto da melhor forma que eu sei”, diz o diretor

O novo filme com a assinatura do argentino-brasileiro Hector Babenco chega aos cinemas em 3 de março carregado em tom impressionista. Ao mesmo tempo em que o cineasta não aceita rotular o longa como uma autobiografia, ele admite estar desfiando a sua própria história diante dos nossos olhos, mas absolutamente pelo viés cinematográfico. Abrir o jogo é com ele mesmo, por isso logo surge na tela a definição do autor a respeito de sua obra: “Uma história que aconteceu comigo e a conto da melhor forma que eu sei.”

O cineasta não aceita rotular o longa como uma autobiografia.

O cineasta não aceita rotular o longa como uma autobiografia.

Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, com remontagem para o circuito comercial, “Meu Amigo Hindu” trata dos conflitos existenciais que envolvem o protagonista, interpretado pelo ator americano Willem Dafoe, ao ter de enfrentar um agressivo câncer linfático. Assim como o personagem principal, Babenco precisou se submeter a um transplante de medula para curar a doença.

Willem Dafoe é Diego, um diretor de cinema que precisa enfrentar um câncer linfático.

Willem Dafoe é Diego, um diretor de cinema que precisa enfrentar um câncer linfático.

Na trama, nada transita fora do eixo de Diego (Dafoe), um diretor de cinema que procura tratamento nos Estados Unidos, mas antes oficializa a união com sua companheira de muitos anos e promove uma festa de casamento que pode ser a despedida da família e dos amigos. No hospital, a sua mente oscila entre realidade e delírio, a ponto de jogar xadrez com o mensageiro da morte que o visita em certas ocasiões. O elenco é conhecido no cenário artístico nacional, com nomes como Maria Fernanda Cândido, Barbara Paz, Selton Mello, Guilherme Weber, Reynaldo Gianecchini e Dan Stulbach.

Willem Dafoe e Barbara Paz.

Willem Dafoe e Barbara Paz.

Assisti ao filme em cabine de imprensa na quarta-feira (dia 24 de fevereiro) e confesso que não esperava encontrar todos os atores brasileiros falando em inglês. Essa primeira surpresa não chega a comprometer o resultado, mas certamente o público se desconcentra um pouco nas primeiras cenas diante do inusitado de ter um filme BR totalmente legendado. No entanto, não demora para que a gente se acostume com a ideia e a história ganhe corpo, apesar do ritmo permanecer arrastado até a metade. A partir daí, o enredo embala em cadência até o desfecho.

Maitê Proença e Willem Dafoe

Maitê Proença e Willem Dafoe

Para não dar spoiler, vou dizer apenas que a cena final é digna de Fellini, e teria acontecido de fato e da maneira como Barbara Paz a apresenta. A sequência de um famoso clássico musical, mostrada com ousadia, leva ao entendimento de que Babenco queria mais era declarar, o tempo todo, tanto o seu amor quanto a sua obsessão pelo cinema.

Karina Moraes, 49 anos, é publicitária e jornalista. Sempre atuou nas editorias de cultura e variedades ao longo de seus mais de 20 anos de experiência em redações. Por dez anos, ela foi editora de gastronomia e colunista sóciocultural do Jornal NH, do Grupo Sinos. Atualmente, Karina é consultora de eventos e coordenadora de conteúdo para o projeto Duo Gastrô, em parceria com o chef Flavio Boriolo. E também apresenta e produz o programa Kah Entre Nós, pelo Canal 14 da NET, todas as sextas à noite. karina.nhrs@gmail.com
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  • Reynaldo Gianecchini e Dan Stulbach.
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  • Willem Dafoe, Hector Babenco e Maria Fernanda Cândido.
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