CINEMA: Orfeu Negro é o Brasil pela visão de um francês

O carnaval brasileiro visto pelos olhos de um francês e com um toque de mitologia grega. Em uma produção ítalo-franco-brasileira, Marcel Camus trouxe uma nova roupagem a uma peça escrita por Vinícius de Moraes, Orfeu da Conceição, inspirada na história de Orfeu e Eurídice. Orfeu Negro (ou Orfeu do Carnaval), filmado nos morros do Rio de Janeiro no final dos anos 50, mostra ao mundo a cultura do Brasil da época.

Eurídice, interpretada pela atriz norte-americana Marpessa Dawn, foge do interior do Brasil onde era perseguida por um homem e vai se esconder na casa de uma prima. Chega à cidade maravilhosa com o clima de festa do carnaval. Lá encontra Orfeu, que foi interpretado por Breno Mello, gaúcho de Porto Alegre que antes de seguir a carreira artística, foi jogador de futebol, sendo ídolo do Renner campeão estadual de 1954.

Dos campos das Laranjeiras, onde atuava pelo Fluminense, Mello passou para a ficção, vivendo o condutor de bondes que durante o carnaval virava o líder da escola de samba da comunidade. Orfeu era noivo de Mira, uma voluptuosa mulata que atraía a atenção dos cariocas. Mas foi na inocência de Eurídice que Orfeu encontraria o amor verdadeiro. Com seu violão, cantava para fazer o sol aparecer, como acreditavam as crianças do morro em que vivia.

Na noite que antecipa o carnaval, no entanto, o misterioso homem que persegue Eurídice – também interpretado por um atleta da época: Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico no salto triplo, aparece no morro para encontrar a fugitiva, mas Orfeu salva a mocinha e ganha o amor da jovem do interior. No dia seguinte, quando do desfile das escolas de samba, Eurídice troca de lugar com a prima e vai para a avenida. Mas a Morte, fantasia do homem misterioso, a acha e ali começa o fim de uma intensa história de amor.

O filme teve reconhecimento internacional, sendo vencedor da Palma de Ouro em Cannes, além de ter sido o vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960 – no entanto a Academia considerou o filme como francês. Também foi um dos propulsores da Bossa Nova, contando com músicas compostas por Tom Jobim, Luís Bonfá, Antônio Maria, Agostinho dos Santos e o próprio Vinícius de Moraes. Uma das mais lembradas é Manhã de Carnaval, também imortalizada por astros do Jazz.

Trailer

Cena 1

Cena 2

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