COMPORTAMENTO | Uma nova ética de consumo

Relatório recente da Nasa alerta para o esgotamento dos recursos naturais do planeta em razão do estilo de vida contemporâneo. Diz que, se todos os habitantes da Terra adotassem os mesmos hábitos de consumo dos americanos, seriam necessários cinco planetas Terra para atender às necessidades das pessoas. Mesmo que a maior parte dos habitantes do planeta não consuma como os americanos, ainda assim o colapso pode acontecer.

Nada como a iminência de uma catástrofe ambiental em escala planetária para corrigir os maus hábitos de uma comunidade. Sou do tempo em que leite, refrigerente e cerveja eram vendidos em boas garrafas de vidro, reutilizáveis. Para ir à feira ou ao supermercado, as donas de casa utilizavam sacolas de lona. O cafezinho era servido em xícaras de louça. A água era bebida em copos de vidro. Pratos e talheres eram feitos de louça e aço inox. Capa de chuva era confeccionada em gabardine.

Tudo isso ficou fora de moda da noite para o dia com o advento das garrafas pet, das sacolas, dos copos, talheres e até das capas de chuva de plástico – tudo descartável. “Moderno” era então usar uma vez só o que quer que fosse, e jogar fora em seguida. Até bens mais duráveis, como computadores, eletrodomésticos e celulares, tornararam-se descartáveis nos últimos anos.

Em vez de consertar a TV ou a geladeira, compra-se uma nova (e a velha vai para a calçada…). O celular tem de ser trocado a cada seis meses por um modelo novo. A obsolescência programada se incorporou aos objetos do nosso cotidiano. Até os carros atuais, feitos de plástico barato, parecem ter prazo de validade curto.

Felizmente percebemos a tempo que esse modo de vida absurdo, importado acriticamente dos EUA e do Japão, cobra um alto preço da natureza. Exaurindo os recursos naturais do planeta e transformando o mundo em que vivemos em um grande lixão. Por isso, as coisas estão mudando.

O que até há pouco era considerado “antigo”, agora é moderníssimo. A Coca-Cola, por exemplo, já oferece garrafas pet reutilizáveis após reciclagem. O grupo Pão-de-Açúcar estimula o uso de sacolas de pano. Empresas substituem copos descartáveis por canecas de louça ou vidro. Crescem, nos EUA e na Europa, movimentos como os da Simplicidade Voluntária, da Casa Pequena, do Consumo Consciente, o Slow Food, que propõem um novo estilo de vida, baseado na frugalidade, na reciclagem e na sustentabilidade. É uma nova ética de consumo.

Os praticantes desta nova filosofia de vida não são new hippies. Tampouco querem destruir o capitalismo. São pessoas comuns, como eu e você, que, um dia, perceberam que o consumo desenfreado não traz a felicidade prometida pela publicidade. Gente que, com seu trabalho de formiguinha, tenta evitar não apenas o aquecimento global, mas a exaustão completa do planeta. E, de quebra, o vazio e a depressão que sucedem a euforia do consumo irresponsável.

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