CRÔNICA | Quero morar nas estrelas

O guri que um dia se encantou com as viagens espaciais e a conquista da Lua ainda vibra em mim quando fica sabendo que uma pequena nave-robô (Philae) acaba de pousar em um cometa misterioso a 500 milhões de quilômetros da Terra. Não sei se viemos do espaço, mas tenho certeza de que é para lá que nos mudaremos algum dia.

Não lembro se já contei aqui no site que um dos meus sonhos de infância era ser astronauta (e, um pouco mais tarde, piloto de Fórmula 1, e, depois, fotógrafo da Playboy, não necessariamente nessa ordem). Guri, acompanhei com enorme interesse, por leituras e pela TV, cada capítulo emocionante da corrida espacial. Do Sputnik russo à Apollo 11 americana, que levou os primeiros homens à Lua, não perdi nenhum momento desta esplêndida aventura humana – em parte tão bem narrada no livro Os Eleitos, de Tom Wolfe.

Com oito anos, ganhei prêmio e notoriedade na escola por uma história em quadrinhos onde eu narrava uma versão muito pessoal da conquista da Lua (A Apollo 11 ainda não havia feito sua célebre viagem). Era mais ou menos assim: os americanos chegavam ao satélite natural da Terra, encontravam ouro, muito ouro, mas antes que pudessem colocar as mãos no tesouro eram atacados por alienígenas, ainda mais interessados no metal (não me pergunte por quê). Quando tudo parecia perdido para os americanos, eles eram salvos pelos russos – que chegavam à Lua um pouco atrasados, mas ainda a tempo de expulsar os ETs.

Diante de um inimigo comum, capitalistas e comunistas se uniam. E assim, no meio daquela “magnífica desolação” poeirenta, como tão bem definiu Buzz Aldrin (o segundo homem a pisar o solo lunar), a Guerra Fria terminava, entre abraços comovidos e brindes de uísque e vodka. Na minha delirante ficção pacifista infantil, antecipei em algumas décadas a queda do Muro de Berlim e as missões espaciais conjuntas norte-americanas e russas dos dias atuais.

Até hoje, o assunto me fascina. Dos planos para uma viagem tripulada até Marte à descoberta de água na Lua, ou ao pouso do robozinho no cometa, qualquer coisa que diga respeito às viagens espaciais ainda mexe profundamente comigo. Vibrei quando o ex-astronauta Edwin “Buzz” Aldrin esteve no Brasil, há alguns anos. Aldrin, que caminhou pela Lua em 16 de julho 1969 com Neil Armstrong, veio ao país naquela ocasião a convite do astronauta brasileiro Marcos Pontes, para participar de comemorações pelos 40 anos de seu feito histórico.

Lembro-me bem de que, ao desembarcar em Campos de Goytacazes, no Rio de Janeiro, o ex-astronauta foi simpático com as crianças que o receberam ao som de “That`s The Way”. Elogiou a pronúncia dos meninos e confessou que já compôs um rap. E ainda comentou:

– A recepção foi bem melhor do que pousar na Lua. Lá não havia ninguém me esperando.

O astronauta Michael Collins, que permaneceu na órbita da lua a bordo do módulo de serviço da Apollo 11, não era de muito papo. Neil Armstrong, idem. Armstrong era um piloto frio, altamente técnico. Aldrin era o mais risonho e falante dos três. Pelo que se viu em sua passagem pelo Brasil, conservou na velhice a bonomia dos tempos em que cavalgava as estrelas a bordo de sua frágil nave.

Digam o que quiserem deles, os astronautas são, para mim,  os grandes heróis da contemporaneidade. Se o “pequeno passo (de Armstrong, na Lua) para o homem” ainda não resultou em um “grande salto para a humanidade” (embora os avanços tecnológicos da corrida espacial sejam desfrutados hoje até pela dona-de-casa que frita ovo numa frigideira de Teflon), acredito que um dia ainda habitaremos outros planetas. E os astronautas serão lembrados como os maiores desbravadores da história humana.

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