CRÔNICA | Um Jardim do Éden no Vale dos Vinhedos

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Religião, do latim religionem, tem como significado fundamental religar. Parece haver algo comum à maioria das religiões no que diz respeito à origem da humanidade – ela se dá num momento de desconexão entre os homens e os deuses, um momento de traição. Admitindo isso, as religiões teriam o papel de restabelecer a conexão original da humanidade com a divindade, perdida naquele momento fundador.

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O mito de Prometeu

Desde que Prometeu roubou o fogo dos deuses, vivemos com alguma culpa que vem do medo de não termos capacidade de controla-lo. A alegoria do fogo diz respeito ao conhecimento, a partir do momento em que a humanidade desenvolveu algum conhecimento, passamos a criar nossas próprias regras para além daqueles que os deuses e a natureza nos impõem. Esse novo habitat, criado por nós mesmos, é a cidade: dura, reta e fria.

O conhecimento nos afasta dos deuses e a técnica nos distancia da natureza. Um bom exemplo são as degustações técnicas em salas brancas, às cegas, sem comida, em silêncio e cuspindo para evitar a embriaguez. Os enólogos têm que fazer essas degustações chatas para definir os cortes de vinhos. Só eles devem fazer isso, para apreciarmos um bom vinho precisamos de outro ambiente: aconchegante e bonito. Boa comida sempre ajuda e uma conversa agradável não pode ficar de lado. Só assim podemos reestabelecer uma conexão com o verdadeiro significado do vinho.

Prometeu Acorrentado, por Peter Paul Rubens (1612)

Prometeu Acorrentado, por Peter Paul Rubens (1612)

A expulsão do Paraíso

Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden após comer do fruto da árvore do conhecimento. Se para os gregos o conhecimento era representado pelo fogo, para judeus e cristãos, é por esse fruto, frequentemente representado por uma maçã. O resultado é o mesmo: o afastamento da natureza, e uma responsabilidade gigantesca sobre os ombros. No fundo, apesar de sabermos que somos feitos para a cidade, sentimos alguma nostalgia do tempo fantasioso em que seres humanos conviviam alegremente com tigres e cobras sem serem atacados.

Tomai todos e bebei, esse é o meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança.

No cristianismo, o vinho é a bebida ritual que restabelece a conexão perdida com o divino. Desde a desobediência de Adão e Eva, passando por todas as traições humanas e ataques de fúria divina, Cristo restabelece a ligação com os céus através do compartilhamento do pão e do vinho – representando o sacrifício ritual definitivo. Na tradição greco-romana, pode-se fazer a mesma leitura, não só por Baco ser filho de Júpiter e de Sêmele, uma humana, mas por ter se apaixonado pela cultura da vinha e ensinado vários povos a cultivá-la. A loucura de Baco, a embriaguez do vinho, é um momento fugaz de reconciliação com os deuses, uma volta à natureza.

Adão e Eva, por Tiziano Vecellio (1550)

Adão e Eva, por Tiziano Vecellio (1550)

Uma reconexão efêmera no Vale dos Vinhedos

Se não podemos voltar ao Jardim do Éden, ou conseguir o perdão dos deuses por lhes termos roubado o fogo, podemos ter momentos de reconciliação proporcionada pelo vinho. A alegria da embriaguez, que pode ocorrer em qualquer lugar onde haja uma garrafa de vinho, é importante, mas não suficiente. Precisamos de mais. Precisamos, além do esquecimento provocado pela loucura de Baco, da reaproximação com a natureza.
No Wine Garden, jardim da Vinícola Miolo, temos tudo o que precisamos para o estabelecimento temporário de uma religião própria: pão, vinho e um contato único com a natureza com pés descalços, brisa suave e paisagem harmoniosa.

Podemos ir ao jardim do vinho e ter a reconexão que buscamos desde que somos humanos. Enquanto lá estamos, somos momentaneamente perdoados por todo o nosso conhecimento e independência, para viver o intenso prazer de um dia, sem culpa.

Miolo Wine Garden

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