CUTELARIA | Homenagem à mulher cuteleira

Silvana Mouzinho tem a disposição de umas 4 pessoas. Sempre foi assim. Eu a conheço faz tempo e sempre me surpreendo com essa vitalidade. Ainda nos anos 90, a cutelaria artesanal engatinhava e lá estava ela, na ocasião trabalhando numa importadora. Vendendo facas industriais e sempre junto com a turma das facas artesanais e o publisher da única revista que abria espaço para a nobre arte na época, a Magnum.

Amiga dos amigos, parceira de todas as horas e sempre à serviço da cutelaria artesanal. E em 2002 o chamado do aço foi mais forte! Silvana procurou orientação, fez seu primeiro curso em São Paulo e….pimba! Nunca mais parou. Sua filha caçula, a Isabella (Bellinha), andava no colo de todo mundo pelos eventos. Ainda hoje é a nossa mascote, aos 20 anos.

Dentro da própria Old West, onde trabalhava, com incentivo de seu chefe, Lucio Engler, em 2003 Silvana monta ali a sua primeira oficina. E começa a cavar seu espaço e a ocupar com maestria outros tantos na mídia de São Paulo, e logo em seguida Brasil afora.

Tinha encontro de cutelaria em Sorocaba, Salão em Brasília, Nova Petrópolis, Goiânia ou Ribeirão Preto? Lá estava a nossa querida “Sil”, como é tratada pelos amigos, agregando arte e talento ao evento.

Desfilou charme, elegância e conhecimento na Record, na Band, Gazeta, Rede Aparecida e outras tantas telinhas, sem falar em revistas como a VIP, jornais e por ai afora. Edu Guedes, Ronnie Von, Claudete Troiano e outros tantos apresentadores se encantaram com sua arte.

Tornar-se cuteleira full time foi o próximo passo, com a oficina já em casa, com o apoio do marido Paulo, seu maior incentivador, junto com a filha Isabella e as manas Paula e Mariana. Em 2005, fez o curso básico de técnicas de engraving com o escultor e burilista João Gilberto Mazzotti, agregando ainda mais arte em cada peça que leva a marca Silvana Art Knives.

Paulo, o maridão que virou colecionador de cutelaria a incentivou a expor no Blade Show, de Atlanta, o maior dos EUA e um dos maiores do mundo, e lá se foi nossa heroína desbravar as terras do Tio Sam, onde tem clientes cativos. Suas peças sempre chamam a atenção por onde passam, pela delicadeza, arte, esmero e o toque feminino!

Ainda não satisfeita, empenhou-se e foi atrás de espaço, patrocinadores, e em 2008 nasceu seu primeiro evento, com sua grife, hoje consagrado como o maior evento afiado do Brasil: o Salão Paulista de Cutelaria, o primeiro e o mais consagrado dentre os 4 que frequenta no território nacional.

As netas Helena e Joana são figuras carimbadas nos eventos da vovó coruja. O ultimo domingo do mês é dia da encontrar os amigos em São Paulo, por conta de outra criação da moça, o Conversa Afiada, que reúne a turma paulistana e os amigos em trânsito pela cidade.
Seus eventos reúnem artistas do Brasil inteiro, da América do Sul, da Europa e craques que se fazem representar, como o italiano Santino Ballestra, que envia a esposa, a brasileira Arlete  para expor.

Sua arte está imortalizada graficamente, pois é uma das vinte mulheres que compõem o capitulo “Toque Feminino” no livro Art Knives II, de autoria de David Darom, de Israel.
Em dezembro, Silvana abrilhanta a Feira Gaúcha da Faca, que inclusive foi rebatizada por ela.

Seu trabalho serve como exemplo a várias artistas que, nela inspiradas, começaram a forjar sua caminhada no mundo da cutelaria. Com este artigo pretendemos homenagear a todas as mulheres que fazem arte no Brasil, quer no cenário afiado, gastronômico, Báquico, mundo da moda, etc., sempre de modo empreendedor. Obrigado por existirem e nos ensinarem tanto!  Conheça seus trabalhos em https://www.facebook.com/silvana.mouzinho .

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