CUTELARIA | O menino que forjava pregos

Amigos do As Boas Coisas, nosso passeio pelo mundo afiado nos levou à linda Feliz, à bela Tapes, à Princesa do Sul (Pelotas), e agora convido-os a vir comigo até Novo Hamburgo, terra do calçado….e também de boa faca!!

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No ano de 1963, nasce na Capital do Vale do Calçado o menino Carlos Fernando Barth. As brincadeiras de criança, nesta época, na sua cidade, tinham muito a ver com campo, mato, meio rural, correria e vida saudável. Pois nosso futuro cuteleiro e seus amigos já gostavam de facas desde a infância!

A grande sensação do forjador mirim e seu objeto de desejo era fazer a sua faca. Imagine um menino com 10 ou 12 anos de idade “brincando de forjar” nos dias de hoje. Pois nesta época era sensacional, uma brincadeira sadia e “do bem”.

O menino Barth escolhia pregos grandes, destes que varam toras de madeira, como matéria prima. Depois vinha a experiência de forjar……a frio! O prego era preso a uma tenaz ou alicate e a martelo era forjado o mais parecido possível com uma faca, com área de fio e espiga. Na sequência, a cabeça do prego era removida com o uso de alicate.

Após isto, já com ares de faca, o prego era aquecido no bico do fogão ou numa fogueira de gravetos, folhas, galhos, lenha…o que tivesse à mão. Após chegar ao vermelho cereja, a “lâmina” era encaixada num galho, também escolhido a capricho, de cinamomo, madeira abundante no Rio Grande do Sul, com o núcleo macio, tornando viável o encaixe da lâmina com o cabo de cinamomo.

Por tratar-se de Novo Hamburgo, um retalho de couro era fácil de ser obtido para virar bainha, que protegeria a faca e o embornal do menino, que carregava uma funda (estilingue ou bodoque, como queira), pedrinhas (a munição), algum lanche e a companheira afiada feita de modo 100% artesanal.

Depois, nosso artista trabalhou no ramo calçadista e no departamento financeiro de empresas, na cidade, até voltar ao sonho de menino. Em 2003, o cuteleiro Eduardo Cunha de Araricá, abre sua oficina ao amigo Barth, que começa e entender o funcionamento de forja, bigorna, martelo, tratamento térmico, usinagem, e começam a nascer as primeiras peças com a marca “Barth”.

Em 2006, uma parada estratégica para montar a própria oficina com equipamentos de ponta foi empreendida, para retornar com força total em 2008, o marco desta nova fase na vida do artista.

Hoje, Barth é o presidente em exercício da Associação Gaúcha de Cutelaria, forjando suas peças uma a uma com muita arte agregada, carinho e profissionalismo. Seus clientes querem sua presença nos eventos de São Paulo e Sorocaba, o que deve acontecer em 2015. O trato com os aços carbono, damasco, e a qualidade de suas peças o tornaram conhecido Brasil afora, além de sua atitude generosa, o abraço acolhedor e a vontade de fazer acontecer.

Conheça o trabalho deste grande artista da cutelaria artesanal em http://www.cutelariabarth.blogspot.com/ e no facebook.

Um abraço, Feliz Natal e um 2015 afiadissimo a todos!

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