DRINKS | A era de ouro dos coquetéis

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Hoje vivemos uma época de popularidade da boa coquetelaria. Os coquetéis coloridos, com produtos artificiais e extremamente doces estão caindo em desuso. Drink virou coisa de chef de cozinha. Os clássicos estão cada vez mais caprichados e não é difícil encontrar criações inusitadas por aí. Hoje, essa coquetelaria tem crescido de uma forma realmente surpreendente e empolgante, mesmo fora dos grandes centros do país.

Existe um apoio das marcas, que apostam em competições e promoções de venda de coquetéis para o crescimento da coquetelaria mundial. No Brasil não tem sido diferente. Muitos encontros e aulas especiais com grandes nomes da coquetelaria são cada vez mais comuns.

Os bares têm aberto seus balcões para receber bartenders convidados nos chamados: “Guest bartender” com coquetéis especiais feitos para a ocasião e criando eventos que disseminam a boa coquetelaria e há uma troca de informações importantes para essa evolução.

O Brasil tem atualmente três bares na lista dos 100 melhores do mundo: o Guilhotina, do renomado bartender Márcio Silva, Frank Bar, do excelente Spencer Amereno e o Guarita Bar, do craque Jean Ponce.

Vejo um futuro brilhante para nossa coquetelaria. Não existe um país com tanta variedade de frutas e produtos orgânicos como o Brasil, além de nosso inigualável e principal produto destilado: a Cachaça. Tenho me aventurado desde 2012, quando ganhei a competição de coquetelaria da Expo cachaça em Minas, a uma incessante pesquisa sobre este produto, a cachaça.

Tenho visto como os bares do Brasil utilizam cada vez mais a cachaça de alambique (a melhor) em seus cardápios de coquetéis.  Por isso, penso no quanto seria bom se criássemos uma mixologia baseada na cachaça e em produtos nacionais. Sempre levando em consideração o que se faz fora do país, mas de olho no produto típico brasileiro para ser exportado e reproduzido nos bares mundo afora.

Temos muitas confrarias de cachaças em diversos estados, que lutam, há anos, contra os preconceitos com essa bebida. O grupo da Cúpula da Cachaça, formado por especialistas do Brasil,  também ajuda neste sentido, com o ranking das melhores cachaças brasileira. Sempre uma escolha justa e altamente técnica.

Embarcando nessa onda, vamos ensinar a fazer um drink simples, super fácil de se reproduzir em casa.

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Virginia Hills (Shake Rio Speakeasy)

30 ml de cachaça envelhecida em carvalho
30 ml de Bourbon
30 ml de xarope de café com nozes *
20 ml de suco de limão
10 gotas de agua de flor de laranjeira
20 ml de clara de ovo
Gotas de angostura bitter
Defumado com carqueja
Copo: Old fashioned (whisky baixo)
Modalidade: Batido

Forma de preparo: queime a carqueja e coloque o copo virado para baixo, deixando a fumaça perfumar o copo. Bata os ingredientes na coqueteleira. Coloque gelo no copo. Decore com grãos de café e gotas de bitter angostura.

*Xarope de café e nozes: toste duas colheres de nozes. Numa panela, acrescente, às nozes tostadas, duas colheres de café em grãos (arábica) e 500 ml de água. Cozinhe até reduzir pela metade. Adicione 250 gramas de açúcar, mexa até dissolver. Deixe descansando na geladeira por 24 horas.

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WALTER GARIN
Mixologista e barchef. É proprietário da Shake Rio, uma escola referência no mundo da coquetelaria. Campeão de diversos concursos nacionais e internacionais, incluindo o primeiro lugar do Sofitel Wine Cocktail (2017). Ministrou cursos na área em diversos países: Brasil, Uruguai, Venezuela, Colômbia, Peru, Espanha, etc. Escreve sobre drinks.

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