F1 | O nome do Brasil nas pistas

Emerson Fittipaldi é o grande nome do Brasil na Fórmula 1. Certamente, não atingiu o nível heroico de Ayrton Senna, nem foi campão três vezes, como Nelson Piquet, mas ele foi o primeiro – e ser primeiro não é para qualquer um. E era jovem para os padrões da época, tão jovem e tão talentoso que foi o bicampeão mais novo da história da Fórmula 1 por 32 anos. Por alguns dias, Schumacher não conseguiu quebrar esse recorde, só Alonso foi desbancar o brasileiro em 2005 e, posteriormente, este deu lugar a Sebastian Vettel. Mas os números não dizem o que realmente importa sobre os pilotos da romântica década de 1970.

O romantismo da década de 1970 é bem representado na doçura das músicas do ABBA. A Fórmula 1 viveu essa época. Não viveu simplesmente como qualquer um que estava na época, foi protagonista. Emerson Fittipaldi deixou de ganhar um título mundial para lutar pela segurança dos pilotos e deixou de ganhar outro para construir o sonho de uma equipe de Fórmula 1 brasileira. Romantismo puro. Coragem na veia. Desdigo o que acabei de escrever: heroico como raros, um verdadeiro Hércules canarinho.

A Escuderia Fittipaldi deveria ser motivo de orgulho nacional. À frente da Scuderia Ferrari na temporada de 1980 e desbancando McCalaren, Williams, Tyrrel e Reanault em outras temporadas, o time brasileiro estava no pelotão intermediário, bem à frente da crítica esportiva medíocre que enfrentava em terra brasilis. Por exemplo, os estúpidos do lado de cá chegaram a sugerir que os monopostos tupiniquins não tivessem espelho retrovisor para reduzir o orçamento.  Após o triste fim da Escuderia Fittipaldi, Émerson cultivou por algum tempo a sua paixão pelo automobilismo nos super-karts

Mas enquanto os vira-latas latiam, Émerson continuava sendo um dos mais respeitados automobilistas do mundo e recebeu o convite para participar da Fórmula Indy. Apesar de não ter gostado das primeiras experiências com circuitos ovais, foi o vencedor do GP de Michigan em 1984. Em 1989, o seu pioneirismo mostrou-se outra vez e fez dele o primeiro sul-americano campeão de Fórmula Indy. Além disso, bi-campeão das 500 milhas de Indianápolis – líder, inovador e patriota, tomou suco de laranja para comemorar a vitória de 1993, no lugar do tradicional leite.

A participação brasileira na Fórmula 1 teve três vice-campeonatos desde o acidente fatal de Ayrton Senna. Duas vezes com Barrichello e uma vez com Massa, sendo que apenas Felipe teve alguma chance real de ser campeão novamente. O prognóstico para os próximos anos não é muito promissor, apesar de Felipe estar numa Williams que promete grandes resultados. O outro Felipe, o Nasr, vai ter que suar a camiseta e gastar bastante dinheiro de seus patrocinadores – não vai ser fácil. A minha esperança é maior com a volta de Fittipaldi.

Claro que o Emmo não voltará – não o pai – o melhor candidato a ser o próximo brasileiro na principal categoria do automobilismo mundial é Pietro Fittipaldi, neto da lenda. O sobrinho, Christian, não teve muitas oportunidades e não conseguiu grandes resultados. Não tenho muita esperança no automobilismo brasileiro, mas tenho certeza de que Fittipaldi continuará sendo importante e usará do seu prestígio para dar destaque ao Brasil, como sempre fez. Devemos a ele que o GP do Brasil esteja no calendário do mundial de Fórmula 1, tenho certeza de que ele ainda construirá uma dívida ainda maior – uma dívida assumida com agradecimento.

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