FACAS | Um artista da cutelaria artesanal

Foto: Isadora Guarnier

Por anos, trabalhei no projeto de meu primeiro livro, que se chamaria A Saga dos Grandes Cuteleiros que Não Fazem Facas! Porém, a cada finalização de projeto alguma das estrelas do livro…..fazia uma faca e saía do escrete!

Agora vislumbrei um novo propósito, pela mão contrária! Começo agora a dividir com os leitores d’As Boas Coisas da Vida a nova saga: Grandes Cuteleiros que Fazem Facas! E o primeiro capítulo bem que poderia começar com o clássico: Era uma Vez…. Venham comigo nesta aventura pelo fascinante mundo da cutelaria artesanal! Nossa história tem como cenário a linda Feliz, pertinho de Porto Alegre, de colonização alemã! Lá nasceu e se criou o cuteleiro Ismael Biegelmeier, filho do seu Romano e da Dona Lurdes, casado com a Eluise e pai do Max Samuel! Em 2005, lá estava o eletricista Ismael, instalando uma luminária cara num café em Nova Petrópolis.

Num vacilo, lá se foi ao chão a luminária de vidro, sob o olhar do dono do local, que calmamente disse ao nosso herói: Isto é sinal de sorte, Ismael! Efetivamente, no dia seguinte……nosso Ismael foi demitido! Sorte ou azar? Sorte, por certo!

No dia seguinte, sob a sombra da laranjeira do lar dos Biegelmeier, lá estava o Ismael, com retalhos de aço de serra, madeira, pinos, lima e uma vontade inquebrantável de prosperar! E com sua pequena produção de facas simples e funcionais, saiu de bicicleta a vender as primeiras facas “Paca”, por valores entre R$7,00 e R$30,00. O próximo passo foi investir em equipamentos e conhecimento! Para isso os mestres e amigos Luciano Dorneles e Rodrigo Sfreddo tiveram muita paciência com o moço, que atentamente ouvia seus ensinamentos e a tudo observava!

Daí para a segunda geração das “Paca” foi um pulo! Valores na casa de R$100,00 e R$300,00 geraram mais um desejo no jovem cuteleiro: entrar para o time dos forjadores, os que vendiam facas por R$1.000,00 ou mais! Nesse meio tempo formou-se uma nova família, que montava sua casa, um lindo apartamento de cobertura no centro da Feliz, onde e Elu, o Max e o Tchuco, o cão da família, ouvem o aprendiz de gaiteiro Ismael desfiar os botões da sua gaita Hohner num chamamé caprichado!

Hoje em dia, Ismael é premiado em todo evento de que participa. seja Sorocaba ou São Paulo! Suas facas tem sempre candidatos ávidos à sua espera! As forjadas integrais, sejam gaúchas, chefs ou para caçadores em aço carbono ou damasco, outra habilidade deste cuteleiro, com cabos em incríveis madeiras estabilizadas, marfim de elefante, mamute, canela de girafa ou chifre de cervo são objetos de desejo de seus clientes!

Desde que o conheço é o mesmo moço de uma humildade ímpar, que se alegra quando nos reunimos, quando nos encontramos em eventos afiados Brasil afora e recebe amigos e clientes com um abraço sincero! Às vezes me avisa: Vianna! Tem um pinto doente aqui no terreiro! É a senha para um encontro fraterno, gostoso como a boa amizade, temperado com um papo afiado, troca de ideias e sei que desta conversa uma nova faca vai surgir!

Uma prova viva de que correr atrás de seus sonhos e viver de seu talento como artista é possível e atingível! Certamente o patrão que o demitiu anos atrás tinha razão sobre o “sinal de sorte” ! Conheça o trabalho deste grande artista que abre esta saga .

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  • Foto: Isadora Guarnier
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  • Foto: Isadora Guarnier
  • Foto: Isadora Guarnier
  •  Ismael Biegelmeier
  • Facas: Roberto Vianna

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