GASTRÔ & VIAGENS | Floripa, a ilha da gastronomia (parte 1)

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Sou apaixonada por Florianópolis (SC)! Perdi as contas de quantas vezes já fui pra lá! Desde a infância, com meus pais, passando pela adolescência, com minhas amigas, até a vida adulta, com meu noivo, foram muitas as visitas. E nunca me canso daquela ilha.

Mas, nas duas últimas viagens, parece que São Pedro estava de mal comigo. Me reservou dias chuvosos, nublados, na melhor das hipóteses. E me obrigou a trocar o mar e a areia por outros programas. Foi assim que saí a perambular pelas opções gastronômicas da ilha. E que a Ilha da Magia, passou a ser pra mim, também, a ilha da gastronomia.

Parte 1: SUL DA ILHA

Não é fácil chegar ao sul da ilha! São mais de 20 quilômetros do centro de Florianópolis, por estradas, muitas vezes, de pistas simples – e que, por isso mesmo, não raro, ficam engarrafadas. Mas vale a pena o esforço!

Pouco depois da praia do Campeche, que é uma continuação da praia da Joaquina e a primeira praia do sul pra quem vem do centro, a gente chega em Morro das Pedras, praia muito procurada pelos surfistas.

Como diz o nome, ela tem um grande paredão de pedras que invade o mar, formando boas ondas. E é por cima desse paredão que passa um trecho da SC 405, que leva às praias do sul. A vista da estrada é linda, mas mais linda ainda é a vista do Mirante do Morro das Pedras, que fica dentro de um convento, a Casa de Retiro Vila Fátima.

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Os portões do convento ficam sempre abertos, pra quem quiser entrar

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E essa é a vista lá de cima: linda, mesmo com tempo nublado

Seguindo em direção ao sul, a gente chega à Armação – uma praia que não está entre minhas preferidas da ilha, mas que tem seu charme. A começar por uma igrejinha de 1772, que fica de frente pra entrada principal da praia. Não me pergunte por quê, mas adoro igrejinhas que ficam de frente pro mar (como tem aos montes em Floripa)!

Igreja de Sant'Anna, de 1772, mas com a fachada já bem modificada

Igreja de Sant’Anna, de 1772, com a fachada já bem modificada (essa foto “roubei” da internet, porque começou a chover muito quando estávamos lá)

No canto direito da praia, fica um trapiche que leva até um pedaço de terra de onde saem passeios de barcos e de onde dá pra ver outras praias próximas. Uma delas é a de Matadeiro, onde só se chega por trilha, mas uma trilha bem fácil e simples de fazer.

A praia da Armação é uma das mais antigas colônias de pescadores de Florianópolis, por isso, sua orla é repleta daqueles barquinhos que a gente adora enquadrar na hora de fotografar.

Os barquinhos de pescadores da Armação

Os barquinhos de pescadores da Armação

Mas é no fim da SC 405 que está nosso primeiro destino gastronômico – não que, no caminho, não tenha onde comer, mas é de Pântano do Sul que quero falar. Lá está a maior praia de pesca de Santa Catarina. E, por isso mesmo, especialista em frutos do mar. E é lá também que está um dos mais tradicionais (e queridos) restaurantes da ilha.

Bar do Arante fica na beirinha da praia e é uma casinha simples, que foi sendo ampliada e reformada desde que começou a funcionar, lá em 1958. Fez as contas? Está lá há 58 anos!

Entre barcos e carros, o Bar do Arante

Entre barcos e carros, o Bar do Arante

Mas o que tornou o restaurante da dona Osmarina e do seu Arante famoso não foram só os frutos do mar! Até porque, quando abriu, há quase seis décadas, ele era só um bar. Em primeiro lugar, foi a cachacinha servida aos pescadores depois de dias duros de trabalho. Ela segue lá, hoje de cortesia a quem frequenta o restaurante!

A cachacinha é cortesia da casa

A cachacinha é cortesia da casa

O lugar também sempre foi acolhedor! Uma das netas do casal, que ainda trabalha lá, nos contou que, por muito tempo,  quem bebia demais dormia por ali mesmo. E que até como bordel a casa já funcionou – as “moças direitas” eram orientadas a passar longe! Dos carnavais lá, então, ela diz apenas que “eram uma loucura”.

(Um parêntese: é a família do casal que segue tocando o restaurante. Na verdade, dois filhos dividem a administração, com seus filhos, os netos da dona Osmarina e do seu Arante. O esquema é o seguinte: cada dia, uma família cuida da casa. Tem seus produtos, suas bebidas e suas geladeiras. E fica com os lucros daquele dia. Fecha parêntese.)

Mas o que tornou o restaurante famoso mesmo não está no cardápio: são os milhares de bilhetinhos espalhados pelas paredes e até pelo teto do lugar!

Seriam mais de 70 mil bilhetes espalhados pelo bar... OMG!

Seriam mais de 70 mil bilhetes espalhados pelo bar!

Os bilhetinhos surgiram espontaneamente, ainda nos primeiros anos do bar. É que, numa era “pré-tecnológica”, era por eles que pescadores e clientes se comunicavam, deixando recados com suas localizações, por exemplo. Demais, né?!

Hoje, todo garçom tem um “kit bilhetinho“, com papel, caneta e fita pra colar. Vale perder um tempo deixando sua mensagem… e lendo as que os outros já deixaram também: são bilhetes de toda parte do Brasil e do mundo, com recados que vão desde dicas do que comer até declarações de amor, passando por muitos elogios ao bar e à comida, claro!

Falando na comida, ela também é responsável pela fama de “lugar imperdível” do bar! Eles servem um buffet de frutos do mar, que custava, em dezembro, R$ 39  – mas não é todos os dias que ele está disponível. Se não me engano, só aos fins de semana. Já os pratos à la carte custam a partir de R$ 70 e servem (muuuiiito) bem duas pessoas.

Nós escolhemos o peixe do dia (que não lembro qual era), metade filé e metade em postas, acompanhado de arroz, feijão e pirão. Era dos mais baratos, delicioso e servia tão bem que sobrou!

Nós escolhemos o peixe do dia (que não lembro qual era), metade em filé e metade em postas, acompanhado de arroz, feijão e pirão. Era delicioso e servia umas três pessoas!

Pra acompanhar, limonadas

Pra acompanhar, limonadas!

Lá também têm sobremesas, mas confesso que nem olhei pra elas! Já tinha ideia fixa de onde a comeria: em Ribeirão da Ilha, a 15 quilômetros dali.

Ribeirão da Ilha foi onde atracaram os primeiros portugueses que chegaram a Santa Catarina, por volta de 1506. Foi uma das primeiras vilas de imigrantes açorianos da ilha. E é o segundo distrito mais antigo de Florianópolis, atrás apenas de Santo Antônio de Lisboa, que eu adoro – e sobre o qual vou falar noutro dia aqui!

Como Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha tem uma igreja antiquíssima, de 1806…

Igreja Nossa Senhora da Lapa, Ribeirão da Ilha

Igreja Nossa Senhora da Lapa, Ribeirão da Ilha

E como Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha é tomado por casinhas coloridas, de estilo açoriano, que dão um charme todo especial ao bairro.

Dá vontade de entrar em todas as casinhas e conferir o que tem dentro

Dá vontade de entrar em todas as casinhas e conferir o que tem dentro

Mas tínhamos espaço pra comer pouco e apenas num lugar! Assim, escolhemos o Tens Tempo Café. Primeiro, porque achei o nome genial. Segundo, porque o lugar é especializado em doces portugueses – e só por isso já teria me ganhado.

Tens Tempo Café, Ribeirão da Ilha

Tens Tempo Café, Ribeirão da Ilha

O Tens Tempo é dos mesmos donos e fica em frente ao restaurante Ostradamus, um dos mais famosos de Ribeirão, que, como já diz o nome, é especializado em ostras. Aliás, são vários os restaurantes especializados em ostras e outros frutos do mar em Ribeirão. Mas esses tivemos que deixar pra outra vez 🙁

São várias as opções de doces portugueses no Tens Tempo, desde os mais tradicionais, como o pastel de Santa Clara, até alguns que nunca tinha ouvido falar, e nem sei se são tradicionais, como o charuto de chocolate.

Pastel de Santa Clara e charuto de chocolate

Pastel de Santa Clara e charuto de chocolate

Mas nem só de doces, cafés e decoração charmosa vive o Tens Tempo! Tem mais: biscoitos pra levar, canecas personalizadas, louças, souvenirs… tem de tudo um pouco.

Prateleiras do Tens Tempo cheias de produtos e objetos pra levar

Prateleiras do Tens Tempo cheias de produtos e objetos pra levar

Como deu pra ver nas fotos, o dia em que fizemos esse passeio pelo sul da ilha tava horroroso! Mesmo assim, saímos com a sensação de que aproveitamos muito. Conhecemos lugares diferentes, provamos comidas ótimas…

Um passeio que talvez não teríamos feito num dia de sol, mas que vale muito a pena! Afinal, com pouco mais de quatro horinhas dá pra mergulhar nessa atmosfera diferente do resto da ilha, com visual e sabores próprios, que enchem os olhos… e a barriga!

Amanhã eu te conto como nossa viagem gastronômica continuou por outros pontos da Ilha da Magia, ou melhor, pela ilha da gastronomia 😉

  • Bar do Arante, de frente pro mar
  • Nosso prato, no Bar do Arante
  • A gente não sabe se come, olha pro mar ou lê os bilhetinhos
  • Os barquinhos onde são pescados os frutos do mar do Bar do Arantes
  • Os bilhetinhos podem ser vistos até de fora
  • Praia da Armação
  • Aqui, os pesqueiros da Armação
  • A charmosa decoração do Tens Tempo Café
  • Que dieta resiste a um balcão assim?
  • Close no pastel de Santa Clara
  • Foco no charuto de chocolate
  • A arquitetura açoriana está presente em todas as casinhas de Ribeirão da Ilha

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