HOBBIES: Aeroportos de antigamente

Houve um tempo em que “paquerar” aviões das sacadas abertas dos aeroportos brasileiros era um programa familiar. Época em que viajar de avião era algo acessível a poucos. Com a massificação do transporte aéreo, a aviação perdeu seu charme, e hoje só os muito apaixonados por aviões, os “spotters”, ainda se dedicam a “paquerar” aeronaves munidos de máquinas fotográficas, smartphones, radinhos e tablets.

Eu, que viajo regularmente de avião há mais de 30 anos, nunca me canso de observar o sobe e desce dos Boeing, Airbus, Embraer, Fokker, Bombardier ou ATR pelos aeroportos do mundo. Passo longo tempo entretido com essa coreografia tecnológica tão precisa.

Nostalgia
Com a idade, acho que estou ficando nostálgico. Por isso, até já sinto saudades de aviões em que voei – e que hoje são barras de alumínio derretido ou seguem cruzando os céus como cargueiros. Cito, por exemplo, o Boeing 727, o primeiro jato em que viajei, muito jovem. Ainda me lembro do embarque na pista, pela escadinha da “barriga”, quase na cauda.

Chego, às vezes, a sentir saudade de aviões nos quais nem voei, como o DC-3 e o Super Constellation. Tempos atrás, conheci um senhor de mais de 80 anos que pilotou o “Constellation”. Para minha decepção, ele me confirmou que a aeronave sofria tantas panes em voo que o quadrimotor era considerado mesmo um “ótimo trimotor”, pois frequentemente chegava ao final das viagens com um dos propulsores parado. Não importa. Ainda assim, o “Connie” era belo, com aquela elegante fuselagem arqueada, a deriva tripla e o trem de pouso do nariz (TPN) longo como as pernas da Ana Hickmann.

Aeroporto Salgado Filho
Também sinto saudades do antigo Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, cidade onde vivo (hoje reativado, mas sem o charme de outrora) .O cafezinho na madrugada – ainda não se pedia um “espresso” –  as revistarias, e o sorvete de creme, no terraço aberto à brisa noturna, eram atrações inesquecíveis.

Atualmente, com os terraços envidraçados dos modernos terminais, não ouvimos mais o ruído dos motores nem sentimos mais o cheiro do querosene de aviação . “Paquerar” aviões perdeu a graça. Enfim, não me considero saudosista, vivo muito bem no meu tempo, aprecio as novidades tecnológicas da aviação, mas algumas dessas coisas antigas são boas de relembrar. Talvez eu esteja mesmo ficando velho.

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