HOBBIES: O enigma do campo de centeio

O diplomata Jorio Dauster exerceu por algum tempo o cargo de embaixador brasileiro junto à União Europeia. Foi nessa condição que o conheci, numa feira agropecuária (Expointer) de muitos anos atrás, no Rio Grande do Sul. Marcamos uma entrevista – que acabou não acontecendo.

Na ocasião, eu estava mais interessado em conversar com ele sobre literatura. Jorio Dauster é um dos melhores tradutores de Vladimir Nabokov no Brasil (embora eu goste muito da tradução antiga de Lolita feita por Brenno Silveira).

Foi Dauster que, em 1963, juntamente com outros dois colegas diplomatas, fez a primeira tradução do livro The Catcher In The Rye (O Apanhador no Campo de Centeio) para o português do Brasil. J.D. Salinger, o autor do romance, morreu em 2010, aos 91 anos, recluso, como viveu por mais de 40 anos. Avesso à fama, não dava entrevistas nem se deixava fotografar e, comenta-se, escrevia todos os dias – mas só para seu próprio deleite. Outro dia li que há cinco romances inéditos dele sendo procurados como o Santo Graal por editoras de todo o mundo.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre, Jorio Dauster contou que tentou falar com J. D. Salinger à época da tradução do famoso livro para esclarecer dúvidas, mas não conseguiu. Hoje, o tradutor acha que foi melhor assim.

– Queria falar sobre o título, que não faz sentido em português. Aliás, nem em inglês. Mas Salinger estava certo: O Apanhador no Campo de Centeio é tão enigmático que acaba atraindo mais leitores.

Se o leitor prestar atenção, numa passagem do romance há uma chave para a compreensão do título. Para saber qual é, nada melhor do que ler – ou reler – essa obra-prima da literatura norte-americana do século XX que encantou gerações de adolescentes e adultos.

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