VIAGENS: Quartos de hotel (2)

Passei quase três mil noites da minha vida em quartos de hotel, por conta do meu trabalho. Isso poderia ter feito de mim alguém avesso a esses lugares. Não sou. Até já “morei” por alguns períodos em hotéis. Nada que se compare à história do poeta Mario Quintana, que viveu boa parte de sua vida no Hotel Majestic e em outros hotéis de Porto Alegre. Mas gostei da experiência.

Quartos de hotel são impessoais? Claro que são. Nada ali nos pertence. Mas isso nunca foi problema para mim. Tão logo me instalo em um hotel, espalho minhas coisas pelo quarto. Ocupo o guarda-roupa. Acomodo livros, revistas e meu computador na mesinha disponível. Distribuo o conteúdo de minha necessaire pelo banheiro. Como o comandante de um exército de ocupação, tomo posse do “território”. E, tanto quanto possível, tento “customizá-lo”.

Mas o que mais me agrada em um quarto de hotel é a possibilidade de solidão quase absoluta por um período calculado. Uma espécie de exílio temporário das muitas demandas da vida social. Um tempo para ler, refletir sobre a vida, reconectar-me comigo mesmo. Ou fazer nada. Esses casulos, com temperatura controlada e camas magicamente arrumadas cada vez que regresso da rua, podem ser tão agradáveis que muitas vezes opto por fazer as refeições sem sair do quarto.

Um dia de folga, uma tarde de chuva, com o celular desligado, em um quarto de hotel, numa cidade desconhecida, pode ser uma esplêndida oportunidade para me desligar de todos os compromissos, programar a temperatura que considero ideal, e dormir. Dormir, dormir, e sonhar…

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