VIAGENS: Quartos de hotel

Passei os últimos 30 anos da minha vida viajando. Jornalista, principalmente repórter, viaja muito. É parte do ofício. Isso é um pouco cansativo, às vezes. Atrapalha a vida pessoal e familiar. Mas, sinceramente, nunca me incomodou demais. Acho que não nasci para trabalhar confinado em uma sala.

Por conta do meu trabalho, passei muito tempo em quartos de hotel. Há alguns anos, me dei ao trabalho de calcular quantas noites teria pernoitado em hotéis. Na ocasião, já eram quase três mil noites dormidas em camas de aluguel. Algumas, maravilhosas. Outras, péssimas.

O quarto de hotel é um espaço transitório, impessoal, onde às vezes você fica tão pouco tempo que nem se dá o trabalho de desfazer a mala. Nada ali lhe pertence, nada tem a sua cara. Com o tempo, todos os hotéis se parecem – especialmente hoje, quando grandes redes compram hotéis locais e padronizam tudo. Passamos a chamar esses estabelecimentos pelos nomes das redes e não mais pelos seus próprios nomes.

Não é incomum você acordar e não saber em que hotel – ou cidade – se encontra. Isso às vezes causa um certo mal estar. Tem também a solidão, que para alguns é insuportável. Nunca foi um problema para mim. Se o hotel tiver um bar bacana e, principalmente, uma boa rede wireless, não me sentirei só. Além do que, gosto da minha própria companhia. Aproveito esses momentos de isolamento para refletir, ler e colocar a correspondência eletrônica em dia.

Não faço questão que o hotel seja novo ou luxuoso – prefiro que seja aconchegante, confortável, e que tenha uma equipe bem treinada. Mas é imprescindível que seja muito limpo e que os serviços funcionem bem durante as 24 horas do dia. Contudo, por melhor que seja o hotel, a casa da gente é sempre melhor. Por isso, o bom hotel é aquele que consegue ser um pouco a extensão da nossa casa.

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