ITÁLIA | O vinho doce mais vendido no mundo

Doce sim, enjoativo nunca. O Moscato de Asti representa um dos produtos mais característicos da vitivinicultura do Piemonte e se situa no topo da pirâmide da produção de qualidade italiana.

A região de origem da uva Moscato Bianco que se destina à produção do Asti DOCG e do Moscato d’Asti DOCG foi demarcada oficialmente já em 1932. Trata-se de um território que abrange 52 municípios nas províncias de Alessandria, Asti e Cuneo, situadas no Sul do Piemonte. A superfície total dos vinhedos de Moscato Bianco se estende por cerca de 9.700 hectares e conta com mais de 4.000 produtores envolvidos.

Esta vasta região da qual nascem o Asti DOCG e o Moscato d’Asti DOCG é situada entre as colinas que surgem na margem direita do rio Tanaro, incluindo parte da região de Langa e do Alto Monferrato, caracterizadas por uma estrutura de solo escassa em rocha e predominantemente calcária. Os morros de Langa exibem forma alongada com encostas escarpadas que se misturam a longos declives das suaves pendências. As colinas mais arredondadas descem em doces vertentes e terminam em fundo vale frescos e sombreados, criando um lindo contraste com as ensolaradas encostas expostas ao sol do verão. Duas paisagens opostas, porem decididamente atraentes, onde nada se repete; assim mutável e surpreendente é o cenário que se apresenta ao visitante. Aqui reina a videira, que prospera ordenada em preciosas e bem cuidadas espaldeiras, capazes de tornar inconfundível e extraordinária a paisagem deste rincão do sul do Piemonte, único no mundo.

O Moscato é parte integrante da paisagem, dos aromas e dos sabores desta terra. Tanto que beber Moscato é como sentir o perfume inebriante da flor de laranjeira, de pêssego e de tília, é mergulhar na paisagem deslumbrante destes morros que de repente se tornam imponentes como montanhas e envolvem você como parte disso tudo. Doce e sedutor como as colinas nas quais nasce e cresce. Vibrante e penetrante como as serras que tudo observam e tudo protegem do alto de sua imponência. Refrescante e efervescente, como o vento que sopra impetuoso quando desce dos Alpes até as colinas.

O VARIETAL

O Asti DOCG nasce exclusivamente do varietal Moscato Bianco, o único em condições de dar vida a um espumante (ou vinho “frisante” doce) assim delicado e intenso, fragrante e persistente. As peculiaridades desse varietal, desde há muito tempo bem conhecidas na vitivinicultura, são exaltadas pelas características climáticas e geológicas da região de produção. Dos estudos sobre a interação videira / meio ambiente, surgiu que os melhores resultados em termos de componente aromática varietal e equilíbrio agradável entre acidez e açúcar, se conseguem sobretudo nos solos calcários, como os da região de Asti, em ambientes com microclima típico das áreas com predominância de colinas. As preciosas substancias aromáticas (linalolo) que o Moscato Bianco produz nas últimas semanas que antecedem a vindima, alcançam o maior acumulo no bago justamente nos primeiros dia do mês de setembro (vale lembrar que estamos no hemisfério norte). Neste período começam as operações de colheita dos cachos. Operações que até hoje são rigorosamente manuais, visando preservar a integridade dos cachos para transferir intato da uva ao vinho o patrimônio aromático, verdadeiro elemento de tipicidade do Asti DOCG.

O MOSTO

O Moscato Bianco após a colheita, é imediatamente enviado para prensagem e transformado em mosto. A uva é prensada de forma delicada com prensas especiais e o mosto assim obtido é resfriado a baixas temperaturas para evitar o desencadear de fermentações indesejadas, fica mantido assim em câmaras frigorificas até o começo da fermentação. As vinícolas estão equipadas com as mais modernas tecnologias de produção e no respeito às características da matéria prima, garantindo assim a máxima expressão do potencial qualitativo da uva.

A FERMENTAÇÃO

As sucessivas fases de elaboração do Asti DOCG preveem a fermentação do mosto conservado. O mosto refrigerado é elevado para uma temperatura próxima dos 20°C, desencadeando assim a fermentação alcóolica com a utilização de leveduras selecionadas das características peculiares. Quando o teor alcóolico alcança entorno de 5,5% se procede à tomada de espuma, neste momento o vinho se transforma em espumante. Ao chegar ao 7% de teor alcóolico, previsto no disciplinar, haverá uma pressão de 5/6 bar e um consistente açúcar residual.

O ENGARRAFAMENTO

Após parar a fermentação alcóolica por meio de refrigeração, feitas as necessárias adaptações e correções ao vinho, se procede ao engarrafamento, em condições absolutas de higiene em ambiente estéril e com total controle microbiológico, requisito necessário para a correta conservação dos espumantes doces. O Asti DOCG assim produzido reúne em si todas as características da uva Moscato Bianco, com acrescidas a exuberância e a vivacidade do espumante doce.

AROMA

Glicínias e tília, pêssego e damasco com toques de sálvia, limão e flor de laranjeira

IMPORTANTE

Lembramos que o Moscato d’Asti deve ser consumido jovem (possivelmente até um ano após à colheita), a uma temperatura de 6/8°C e de preferência em uma taça em formato de copa, baixa e larga, assim de apreciar o aroma em sua plena intensidade e tipicidade.

HARMONIZAÇÃO

Este vinho pode ser harmonizado com sobremesas em geral, desde que não levem licor em sua receita, crostatas e mousses de fruta amarela. É ótimo quando consumido fora das refeições ou, bem gelado, numa praia ensolarada deste fim de verão brasileiro.

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