CAFÉ | O último ato

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Não raras vezes, um almoço ou um jantar esplêndido desandam no último ato: o café. Fraco, demasiadamente forte, amargo, mal torrado, frio… Muitas são as maneiras de destruir a boa impressão deixada por uma refeição, ou por um restaurante bacana, se o derradeiro cafezinho não estiver à altura de tudo o que nos foi servido antes. Como a nota final de uma sinfonia, o café tem de deixar uma última agradável lembrança em nossos sentidos.

Tenho conversado com baristas e donos de cafeterias, e a maioria repete este mantra: muitos restaurantes, mesmo alguns de nível superior em menu e preços, ainda descuidam da qualidade do café servido ao final das refeições. Dão total atenção à cozinha, naturalmente, cuidam muito bem de suas adegas de vinhos – mas a “cafeteria”  é levada de qualquer jeito. Uma máquina de espresso, um funcionário geralmente mal treinado, que pouco ou nada sabe sobre café, e o resultado são xícaras lamentáveis ou, na melhor das hipóteses, medíocres, para encerrar uma refeição que deveria ser inesquecível do pãozinho da entrada ao cafezinho que chega com a conta.

E olhe que não estamos falando aqui de restaurantes modestos, que ainda oferecem a seus infelizes clientes o abominável café de garrafa térmica, passado sabe-se lá há quantas horas…

Esse desleixo obriga o cliente que muitas vezes pagou caro por um prato assinado por um chef premiado a sair do restaurante e procurar por uma boa cafeteria, para só então concluir o seu almoço ou jantar.

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