VIAGEM | Mendoza além dos vinhos – parte II

Mendoza

PARTE II: AVENTURA E RELAXAMENTO

Para ler a PARTE I deste texto (NEVE, MUITA NEVE!) clique aqui

Seguindo com nossa proposta de ver outra Mendoza, agendamos um tour de tirolesa no Vale de Potrerillos. Quando comprei o passeio, pensei que seria legal, mas nem imaginava quão linda experiência estava por vir.

O Dique de Potrerillos foi construído em 1999 para controlar o fluxo de água do Rio Mendoza, que é abastecido pelo derretimento de um glacial na Cordilheira dos Andes, gerar energia hidroelétrica e proporcionar irrigação para a cidade de Mendoza.

Durante o verão, devido o alto derretimento da glacial, o rio fica caudaloso, proporcionando atividades aquáticas e festas a beira da sua praia. Como fomos no inverso, o rio estava sereno, criando lindas paisagens com a pré-cordilheira ao fundo.

O Vale de Potrerillos e o Rio Mendoza

O Vale de Potrerillos e o Rio Mendoza

O passeio era composto de cinco trechos de tirolesa, por picos rochosos e atravessando o rio, sendo o mais longo de 450 metros de comprimento a 40 metros de altura. Dependendo do peso da pessoa, a velocidade no cabo pode chegar a 50km/h.

Sentir o vento bater no rosto atravessando um rio de águas verdinhas com montes de vegetação desértica e picos nevados é uma experiência maravilhosa.

Tirolesa de 450m sobre o Rio Mendoza

Tirolesa de 450m sobre o Rio Mendoza

Mas o que nos surpreendeu mesmo foi o que veio a seguir. Na beira do rio, sobre um belvedere, sentamos em uma mesa de madeira rústica, de frente para o dique de águas verde esmeralda, e lá fomos servidos de um menu de três etapas de uma comida simplória e deliciosa.

Nossa mesa, com vista privilegiada

Nossa mesa, com vista privilegiada

A entrada eram empanadas de massa sequinha e fininha e recheio molhadinho e condimentado de presunto e de carne. Retiradas do forno naquele momento, indo diretamente para nossa frente.

Entrada

Entrada

O prato principal tinha três opções de cortes de parrilla. Eu escolhi o lomo (corte suíno) com batatas rústicas, e meu marido foi de assado de tira (costela com corte fino, típico argentino) com legumes.

Prato principal

Prato principal

A sobremesa era igualmente simplória e deliciosa, peras ao malbec com sorvete de vanila, ou torta de sorvete de doce de leite. Terminamos e ficamos lagarteando no sol olhando aquela vista maravilhosa e pensando como a simplicidade pode nos satisfazer.

Sobremesa

Sobremesa

Outro passeio diferente que fizemos foi a visita às Thermas da Cacheuta. Não é um passeio muito divulgado, como o Tour de Alta Montanha, que está em dez de cada dez sites que falam sobre turismo em Mendoza. Achei por acaso, e cada vez que eu pesquisava mais, mais queria ir.

Esse passeio foi uma verdadeira odisseia, pois eu tinha feito um contato com a administração do parque antes de viajar, porque queria fazer o pacote do Day Spa com transfer, que não podia ser comprado na hora, porém eles são aceitavam reservas por transferência bancária, somente a compra do pacote em seu escritório em Mendoza.

Fomos até o escritório deles para fazer a reserva e fomos enganados pelo horário maluco de expediente na cidade. Os mendonzinos trabalham das 8h às 13h, depois fazem a sesta (e que sesta longa), e voltam a trabalhar as 17h até as 21h. É claro que chegamos lá em torno de 15h e demos de cara com a porta fechada. Mas fomos informados que poderíamos comprar o pacote em agências de viagens.

Partimos atrás dessa opção, e nas agências o pacote era consideravelmente mais caro. Outro dia que estávamos no centro de Mendoza, já havíamos desistido do pacote Day Spa, e compramos um passeio de trecking que terminava com acesso ao parque. Em nosso último dia de viagem, ficamos 30 minutos na calçada da pousada a espera do transfer que nunca chegou. Quando o cordial dono da pousada ligou para lá para pedir informação, eles disseram que o passeio tinha sido cancelado e que podíamos buscar o dinheiro de volta lá. O que para nós não era tão simples, pois estávamos a 1h30 do centro de Mendoza e esse era nosso último dia lá.

Agora ir ao parque era uma questão de honra, então depois de conseguir pegar nosso dinheiro de volta em cima da hora porque o escritório da agencia estava quase fechando para tal sesta interminável deles, às 15h estávamos descendo de uma viagem de 2h em um ônibus municipal na frente do parque. E posso garantir, valeu toda confusão! A opção Day Spa não está funcionando, e no final das contas compramos a entrada comum na bilheteria do parque mesmo.

O parque é um complexo de piscinas de água termal de várias temperaturas, feitas de pedras do rio Mendonza, em um vale rodeado de montanhas da pré-codilheira. É uma experiência indescritível! Ficamos a tarde inteira exercitando o ócio, emergidos em água quentinhas borbulhante, olhando uma paisagem de tirar o fôlego, e repassando essa maravilhosa experiência que tivemos… e que fechamos com chave de ouro.

As piscinas do parque

As piscinas do parque Thermas da Cacheuta

O parque fecha às 18h, conforme fomos avisados pelos funcionários com a famosa falta de cordialidade de alguns argentinos (digo alguns porque o dono da pousada que ficamos mostra que não podemos generalizar). Como nosso ônibus de volta estava agendado para às 18h50, ainda comemos empanadas e tomados o suco de laranja mais caro do universo – R$20,00 o copo de 200ml – em um dos vários restaurantes do vilarejo que se formou em volta do parque e vimos o sol se pôr com a certeza de que o que se leva dessa vida é a vida que se leva.

Lua surgindo em cacheuta

Juliana Litwinski de Oliveira é arquiteta e urbanista, bailarina e uma apaixonada por viagens e cultura.
Juliana nas águas termais

Juliana nas águas termais

 

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