VIAGENS | A francesa Châteauneuf-du-Pape e seus vinhos

Châteauneuf-du-Pape

“A vida é curta demais para beber vinhos de má qualidade.” A frase, do escritor holandês Hubrecht Dujiker, é levada à sério em um vilarejo de pouco mais de dois mil habitantes no sul da França. A estrada que leva até ele, cercada por parreirais, já é o anúncio de que estamos chegando na pequenina Châteauneuf-du-Pape.

Antes mesmo de entrar na cidade, é possível dar início ao programa oficial da região: visitar vinícolas e, claro, provar bons vinhos. São dezenas no caminho, todas abertas ao público e com degustações bem generosas.

As vinícolas de Châteauneuf-du-Pape

O charme das vinícolas de Châteauneuf-du-Pape

Seguimos adiante e voltamos ao passado logo na entrada da vila: as ruelas são estreitas, as casas de pedra. Nas famosas “caves”, os produtores expõem os vinhos para degustação – a maioria de graça.

Os vinhos de Châteauneuf-du-Pape

Os vinhos de Châteauneuf-du-Pape (fotos: Carolina Aguaidas)

Treze tipos diferentes de uvas compõem os vinhos que tem a Denominação de Origem Controlada (AOC, em francês) Châteauneuf-du-Pape. As principais são a shiraz, mourvèdre, cinsault e a grande estrela da região: a uva grenache.

Os 13 tipos de uvas

Os 13 tipos de uvas

A paixão pela produção de vinho no vilarejo começou lá no século 14, quando o papa Clemente V se mudou com toda a corte para Avignon e fez da região uma sede do poder católico. Ali, foi erguido o gigantesco e imponente Palais des Papes, principal atração da cidade.

O imponente Palais des Papes

O imponente Palais des Papes

Não contentes com tamanha grandiosidade, decidiram então construir um castelo novo, para ser a casa de veraneio do Papa: o tal château neuf, em francês. Amantes dos vinhos não demoraram a plantar uvas. E deu no que deu: com uma grande variedade de aromas, sabores e texturas. Um Châteauneuf-du-Pape é praticamente incomparável com a maioria dos vinhos do mundo.

Sete séculos se passaram e, até hoje, famílias inteiras dedicam a vida ao cultivo, preparo e à venda da bebida. E não hesitam em abrir as melhores garrafas de vinho para oferecer aos visitantes. Aliás, as garrafas também tem características marcantes: são bojudas ou tortas e trazem o selo das armas dos papas estampado no vidro.

Detalhe da garrafa

Detalhe da garrafa

E tem mais um detalhe: nesse vilarejo, que resistiu às mudanças do tempo, não há pressa. Alguns vinhos podem esperar mais de dez anos para serem consumidos – e muitos deles não são exportados. Tesouros que só quem vive ou visita Châteauneuf-du-Pape tem o prazer de descobrir… e, claro, de degustar.

* Carolina Aguaidas é jornalista e apresentadora do Tempo no jornal SBT Brasil

  • Carolina e o marido, Gustavo Berton, chegando em Châteauneuf-du-Pape
  • Tirando foto e pensando: por onde começar?
  • O Gustavo degustou...
  • ...e levou
  • A autora: a jornalista Carolina Aguaidas

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