VIAGENS | Don Giovanni: vinhos, aconchego e história

CAPA

Pode parecer contraditório, mas um dos mais jovens municípios brasileiros guarda uma história centenária ligada aos imigrantes italianos. Estamos falando de Pinto Bandeira, emancipado de Bento Gonçalves há apenas dois anos, mas cuja história é secular.

Também pode parecer contraditório, mas a capital brasileira do pêssego guarda lindas histórias ligadas à uva e ao vinho. E é uma delas que nós queremos contar hoje.

Parreirais de Pinto Bandeira (fotos: As Boas Coisas da Vida)

Parreirais de Pinto Bandeira (fotos: As Boas Coisas da Vida)

Dona Bita e a granja dos Dreher

Beatriz Dreher, mais conhecida como Dona Bita, não teve uma infância comum. Cresceu em meio à produção de bebidas, como o vinho e o brandy, um destilado do vinho que envelhece por, pelo menos, 12 anos e que chega a ter 40% de álcool – receita que seu avô, um imigrante, trouxe para o Brasil em 1910.

Era em Pinto Bandeira que ele produzia o conhaque que depois ficou conhecido internacionalmente como Dreher. Só que, lá pela década de 70, uma empresa americana comprou a empresa da família e a propriedade onde a bebida era produzida. E Dona Bita perdeu o contato com os parreirais e os vinhos… por pouco tempo.

Dona Bita e o espumante que leva seu nome: o Dona Bita 70 meses, feito em homenagem aos seus 70 anos e com 70 meses de maturação (foto: Eduardo Benini)

Dona Bita e o espumante que leva seu nome: o Dona Bita 70 meses, feito em homenagem aos seus 70 anos e com 70 meses de maturação (foto: Eduardo Benini)

Em 1982, ela e o marido, Ayrton Giovannini, compraram de volta as terras da família Dreher. A ideia inicial era despretensiosa: ter um lugar onde passar fins de semana e feriados e onde os filhos pudessem ter mais contato com a natureza. A família morava em Bento Gonçalves, e o sustento vinha da metalúrgica tocada pelo seu Ayrton na cidade.

Mas daí a voltar a produzir vinhos e o brandy foi um gole um toque. Afinal, a propriedade ainda guardava antigos parreirais. No início, a produção era apenas pra consumo próprio e pra compartilhar com os amigos – aliás, não precisa mais que poucos minutos pra descobrir que o casal adora receber bem.

Don Giovanni: pousada e vinícola

don giovanni

Depois de uma viagem à Itália, onde ficaram em pousadas do tamanho da sua casa de campo, seu Ayrton e Dona Bita resolveram abrir as portas a quem quisesse. Queriam dividir com mais gente o aconchego de estar ali. Assim nasceu a Don Giovanni.

E a sensação é de estar em casa mesmo. São apenas oito quartos. Um deles é um antigo estábulo reformado, no meio dos parreirais. Os outros sete ficam no antigo casarão, de 1930. E tudo ali nos lembra outras épocas: desde os móveis até o hábito de dividir a sala com os outros hóspedes, com lareira e televisão – que, aliás, não tem nos quartos.

sala don giovanni

Jeitinho de casa de vó, né?!

O café da manhã tem vista pra área externa, pro jardim que leva à piscina. Mas com tanta coisa boa ali dentro, às vezes a gente até esquece de olhar pra fora. São pães, bolos, frios…tudo feito ali ou na região, bem colonial.

Mas imperdível é o jantar harmonizado, porque onde tem bons vinhos, nunca falta boa comida! De entrada, alface com manga e espumante. De primeiro prato, risoto de alcachofras (produzidas ali mesmo), com vinho branco. De segundo prato, frango cozido por quatro horas na cerveja, com batatinhas e cebolinhas, acompanhado de um tinto.

Vamos poupar vocês de legendas óbvias, tipo: hum, saboroso...

Vamos poupar vocês de legendas óbvias, tipo: hum, delicioso…

E, de sobremesa, cassata de creme, com figo em conserva e calda de espumante. (Aqui vale um parêntese: essa calda, criada pela Dona Bita, é feita com o que sai no degorgement do espumante. Ou seja, com os sedimentos que são tirados da garrafa, antes do espumante ir pro mercado. Normalmente, isso vai fora. Na Don Giovanni, vira calda da sobremesa. Obrigada por isso, Dona Bita!)

Um pôr-do-sol rosé

Mas os dias na Don Giovanni não terminam sem um pôr-do-sol, que até pode ser tímido, mas nunca sem cor. É que, depois de uma caminhada pelos parreirais, pelos pessegueiros e pela produção de alcachofras, os hóspedes são recebidos num mirante com vista pra toda a propriedade com o espumante brut rosé da casa. E não importa se faz frio, se os mosquitos atacam e se o pôr-do-sol já teve dias mais inspirados, de repente, a gente se aquece, o corpo fica amortecido e tudo parece ficar mais iluminado.

por do sol brut rose

 

  • Estradinha que leva à Don Giovanni
  • A vinícola
  • O casarão de 1930, transformado em pousada
  • Os quartos levam artes de seis artistas, cinco deles gaúchos
  • Que tal acordar com essa vista?
  • Caminhada pelos parreirais
  • O brut rosé que nos esperava, ao fim da caminhada
  • Felicidade dazamiga: espumante e pôr-do-sol. Precisa mais alguma coisa?

Gostou? Deixe um comentário: