VIAGENS | Farroupilha: berço da imigração italiana no RS

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No ano em que se comemora os 140 anos da chegada dos primeiros imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, você aí pode estar pensando que foi ali por Bento Gonçalves  – hoje referência em massas e vinhos – onde eles primeiro pisaram.  Mas a primeira cidade que os acolheu aqui no estado foi Farroupilha, quando ainda nem era cidade, nem tinha este nome.

Em 1875, começaram a chegar ali as primeiras famílias de italianos vindas de Milão, no norte da Itália. Daí surgiu o nome Nova Milano  – hoje, um distrito de Farroupilha.  E foram os imigrantes os principais responsáveis pelo desenvolvimento econômico, social e cultural da cidade. Aliás, bem como o de toda aquela região da Serra Gaúcha.

Hoje, Farroupilha é considerada a capital nacional da malha. É a cidade que mais produz kiwi no Brasil (a cada dois anos, sedia a Fenakiwi). E é também a maior produtora de uvas moscato do país – o que fez da cidade uma grande produtora de espumantes moscatéis, com selo de Indicação de Procedência Farroupilha – uma denominação para poucos.

Mas é das opções de turismo em Farroupilha – não tão conhecidas como as da vizinha Bento Gonçalves – que nós queremos falar aqui hoje. Pra isso, listamos sete sugestões de programas que você pode fazer num dia ou, com mais tranquilidade, num fim de semana.

1) CASCATA DO SALTO VENTOSO

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Talvez, pelo nome, você não a conheça. Mas a Cascata do Salto Ventoso serviu de cenário pro filme “O Quatrilho” e pra minissérie “Quintos dos Infernos”, da Globo. Com 52 metros de altura, ela forma uma espécie de cortina d’água sobre uma gruta de 200 metros de comprimento. Pode ser vista de cima (como na foto acima, tirada de um mirante)…

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…de trás (como nessa foto, tirada de dentro da gruta) ou ainda debaixo, mais precisamente de dentro d’água – sim, dá pra tomar banho nela (olha a galera lá embaixo)! Só não espere uma grande estrutura do parque. Mesmo assim, é uma atração linda, fácil de chegar (placas indicam o caminho desde a entrada da cidade) e fácil de percorrer – é só seguir o caminho da gruta, descer pelas pedras e se jogar na água.

2) PARQUE DOS PINHEIROS

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Na região central da cidade, a gente encontra outro parque. O Parque dos Pinheiros é onde os farroupilhenses vão caminhar, correr, fazer atividades físicas… Tudo envolta desse lago artificial aí da foto, pertinho da vegetação de mata nativa.

Mas é também aí que eles costumam ganhar alguns quilinhos, já que nele fica um dos mais tradicionais restaurantes da cidade, que abre diariamente ao público, mas que também pode ser fechado pra receber eventos.

Nos 22 hectares do parque também tem uma pracinha infantil, campo de futebol… e banquinhos, caso você só queira sentar e admirar a paisagem.

3) IGREJA MATRIZ

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O nome correto é Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, mas é só falar Igreja Matriz que todo mundo entende. E, claro, todo mundo conhece – ela fica no coração da cidade! Sua história se confunde com a do município.

De estilo gótico, ela começou ser construída em 1929 e ficou pronta em 1935 – poucos meses depois da emancipação de Farroupilha. Há sete anos, foi totalmente revitalizada. Aliás, não só ela: toda a quadra que a circunda, uma grande praça com parquinho infantil.

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Por dentro, ela também é linda – mas não tiramos nenhuma foto pra provar 🙁 você vai ter que ir lá ver com seus próprios olhos 🙂 !

4) SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARAVAGGIO

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A fé em Nossa Senhora do Caravaggio foi trazida da Itália, junto com os primeiros imigrantes. Foi lá (em Caravaggio, na Itália) que a mãe de Jesus teria aparecido a uma camponesa, em 1432. Aqui (em Farroupilha) a devoção à santa se perpetuou, tornando ela a padroeira da cidade. E todo ano, a romaria à santa leva cerca de 150 mil pessoas até o santuário construído em homenagem à ela.

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A igreja original, de 1890 (da qual faz parte a torre aí da foto), foi transformada em uma espécie de museu. Mas um museu diferente! É que a grande atração dele são os milhares de objetos deixados ao longo de anos como agradecimento por graças alcançadas. São fotos, quadros, cartas, roupas, coletes ortopédicos, muletas, pernas e braços de gesso… Tá achando meio macabro? E se eu contar que um exorcismo teria acontecido ali, alguns anos atrás? Pois é, dizem que sim…

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Se o clima pesar, fuja pra esses banquinhos nas áreas verdes do santuário, com vista pros vales que separam Farroupilha de Bento Gonçalves 😉

5) BALNEÁRIO E PARQUE SANTA RITA

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De todas as atrações que citamos até agora, em Farroupilha, essa é a única que precisa pagar entrada. Quando fui lá, era R$ 10. Isso porque o parque é cuidado por uma família.

Pertinho da cidade, ficam seus 80 hectares de área verde, com um lago artificial e uma ilha – pra qual se tem acesso através dessa ponte aí em cima.

Lá dá pra levar carne e assar churrasco numa das suas churrasqueiras ao ar livre. E, além de circular o lago, também dá pra andar sobre ele… de pedalinho, claro.

6) PARREIRAIS

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 É claro que não diríamos pra você deixar Farroupilha sem visitar um parreiral! E é claro que, estando na serra (e na cidade que mais produz uvas moscato do Brasil), opções não faltam!
Dá pra parar num dos parreirais que ficam na BR 453, que liga Bento Gonçalves a Caxias do Sul, e comprar/provar uvas ali mesmo – no meio da área urbana. Ou se aventurar pelas pequenas estradas do interior, algumas de chão batido…
No município, há desde grandes vinícolas, como a Perini, até pequenos produtores (ou não tão pequenos assim) como os Slomp. Na propriedade da família, a gente encontra a parreira abaixo, de 136 anos, que chegou com os primeiros imigrantes italianos.
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E é recepcionado pelo simpático Ivan, um dos proprietários, que vai querer que você prove todos os sucos e vinhos dele, enquanto conta milhares de histórias engraçadas. (Reserve pelo menos uma hora pra ouvir!)

7) RESTAURANTE BUTTELLINHO

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E, como não poderia deixar de ser, nosso passeio termina num restaurante – afinal, estamos na serra! Um dos mais tradicionais por lá é o Buttellinho. Coloque o endereço num GPS ou pergunte pra um morador da cidade, porque, sozinho, dificilmente você vai achar. É que o restaurante fica num bairro residencial, mais precisamente no porão de uma casa (foto acima) e não tem placas, ou letreiros (se tem, são tão discretos que nunca reparei).

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A parte interna tem mais cara de restaurante, é toda reformada, uma graça. Mas graça mesmo você vai achar da comida – de tão boa! A entrada tem, entre tantas outras coisas, pão caseiro e salada de batata com maionese… quente! Isso mesmo, quente! Uma delícia!

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De prato principal, se atire com tudo no filé à parmegiada, a especialidade da casa, que acompanha fritas e arroz. Mas tem muitas massas por lá também! Estamos na serra – independente do que você pedir, vai comer bem!

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Se sobrar tempo, vá conhecer o museu Casa de Pedra e as atrações de Nova Milano, como a praça da imigração italiana e o monumento ao centenário da imigração italiana. E não desça a serra sem trazer uma sacolinha com malhas lindas e gostosas pro inverno!

  • Igreja Matriz
  • Parreirais
  • Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio
  • Buttelinho

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