VIAGENS & GASTRÔ | A vista e as delícias do Morro da Borússia

Morro da Borússia 02

Quando a gente pensa em viajar no fim de semana, logo vem à cabeça aquele ritual: achar um bom lugar pra ficar, fazer a mala, abastecer, calibrar, pesquisar onde comer, o que fazer… Ritual que costuma ser bom, quando se tem tempo e disposição. Mas meio massacrante, depois de uma semana cheia, quando se teve pouco tempo pra organizar. Por isso, há prazeres e satisfações que só uma viagem de um dia pode nos dar: proximidade, praticidade… descomplicação!

Foi nessa vibe que resolvi conhecer o Morro da Borússia, em Osório, no litoral gaúcho. Ele fica a menos de 100km e a pouco mais de 1h de Porto Alegre. Pra chegar lá, é fácil, fácil: quando a BR 290 (ou a famosa Freeway) fizer aquela curva em direção à Tramandaí e à Estrada do Mar, é só seguir reto pela BR 101. Logo na sequência, a gente dobra à esquerda, por baixo de um viaduto, e sobe o morro. Tudo bem sinalizado!

A subida em direção ao topo é feita por uma estradinha cheia de curvas, mas bem asfaltada. Cuidado com os ciclistas e motoqueiros! Na primeira rótula, pegue à esquerda e continue subindo. A primeira parada obrigatória da nossa viagem é o Mirante do Morro da Borússia.

Vista

Vista linda, né?! (fotos: As Boas Coisas da Vida)

Aqui, vale um obs importante: quanto mais lindo o dia, melhor a vista do mirante. Nesse, demos sorte! Deu pra ver toda a cidade de Osório, o parque eólico da cidade, as praias e lagoas de Tramandaí e Imbé e até as dunas de Cidreira. E aquele azul lá no horizonte não é só do céu, não. É do mar também! Lindo, né?

O mirante também funciona como uma plataforma de voo livre. Mas, quando corajosos não estão saltando dali, dá pra sentar, conversar, namorar, tirar fotos e apreciar a vista. Pros gaúchos, um chimarrão é bem vindo!

Plataforma de voo livre

Plataforma pra voo livre… e pra sentar, bater papo, tirar foto…

Do ladinho do mirante, fica um restaurante: a Trattoria À Lenha que tem essa vista panorâmica como grande atrativo. Mas descemos o morro e dobramos à esquerda na rótula pra conhecer o restaurante mais tradicional do lugar.

Restaurante Dodô se define como simplesmente uma casa diferente. Já já eu conto por quê. Mas acho que eles foram simplistas nessa definição. O Dodô é bem mais que uma casa diferente. É uma casa cheia de história… e comida boa, claro!

Fachada do Dodô

Fachada do Dodô

O filho do Seu Dodô, o Cláudio, é quem administra o restaurante. E faz questão de seguir atendendo os clientes. É dele a função de servir cafezinhos e chazinhos no fim das refeições. E faz isso de chinelo – diz ele que pro cliente se sentir em casa. Aham…

Mas seria difícil não se sentir em casa tendo o chá ou o café servido em canequinhas de ferro esmaltadas e por chaleiras aquecidas no fogão à lenha. Isso tem ou não tem cara de aconchego de casa da vó?

Parece cozinha de vó, mas é o buffet do restaurante

Parece cozinha de vó, mas é parte do buffet do restaurante

Além de servir bons cafés, Cláudio Dodô também conta boas histórias. E tem orgulho especial em contar sobre como surgiu o lugar, uma história que se confunde com a da sua família.

Não vou lembrar com riqueza de detalhes, mas Cláudio contou que em frente ao restaurante ficava um campo de futebol, o melhor do litoral gaúcho. Por isso, era ali que jogadores profissionais do Inter e do Grêmio, de décadas passadas, se reuniam pra jogar quando estavam de férias.

As peladas reuniam muita gente em volta, querendo ver os jogadores em campo. E a cerveja vendida no antigo armazém do Seu Dodô abastecia os torcedores. É claro que, depois do futebol, os jogadores precisavam se reabastecer. Por isso, de um churrasquinho improvisado em outro, foi nascendo o restaurante, que hoje é um grande puxadinho, cheio de estilo.

De puxadinho em puxadinho, nasceu o Dodô

De puxadinho em puxadinho, nasceu o Dodô

Esse acima é o ambiente principal do restaurante, onde ficam os buffets – sim, os buffets, no plural – mas há vários outros ambientes, todos simples e bem decorados, cheios de móveis e objetos antigos, como TVs, telefones, caixas registradoras…

Os detalhes fofos estão por todos os cantos, até nos banheiros

Os detalhes fofos estão por todos os cantos, até nos banheiros

Mas nem detalhes fofos, nem boas histórias levariam tantos clientes pra lá. O sucesso do restaurante está na boa comida mesmo. Uma comida simples, caseira, colonial, servida no fogão à lenha, cheia de sabor.

Só pra deixar vocês com água na boca...

Só pra deixar vocês com água na boca…

Além do buffet principal – com tantas opções, que não me arrisco a citar só uma – na mesa vem panelinhas de ferro com linguiças cobertas por queijo derretido. E depois ainda tem um farto buffet de sobremesa…

Não há dieta que guente!

Não há dieta que guente!

Na hora de pagar, outra tentação: sair de lá levando panelinhas de ferro, feijão, queijos, geleias… ou algum dos produtos e objetos vendidos no armazém, que ainda segue lá.

Pra fazer a digestão, um momento light no passeio: conhecer a Capela Santa Rita de Cássia, que fica praticamente em frente ao Dodô… e que é essa gracinha aí embaixo.

Capela Nossa Senhora de Cássia

Capela Santa Rita de Cássia

Seguindo por essa mesma rua, onde fica a capela e o restaurante, na direção contrária a que chegamos ali, fica outro atrativo do Morro da Borússia. Pra chegar lá, a gente roda uns 6km – metade deles em estrada de chão. A estrada pode não ser boa, mas casinhas antigas ao longo do caminho fazem o passeio já valer a pena.

Nosso destino, agora, é o Sítio Cascata da Borússia. Ele fica no fim dessa estradinha e se paga R$ 9 pra entrar. Mas vale a pena – dá pra ficar horas lá. Tem espaço para estacionar, pra fazer churrasco, brinquedos pras crianças, muitas árvores, muita natureza… e várias quedas d’água pra se refrescar. Essa é a principal delas:

Cascata da Borússia

Leve seu calção!

Tem várias outras cascatas e cachoeiras pela região…. e deve haver outros bons restaurantes também. Quem gostar tanto do lugar e quiser explorar mais, pode dormir por lá mesmo – há lugares como a Pousada Sítio da Esperança, com cachoeira, piscina, restaurante e cabaninhas assim pra passar a noite:

Cabana da Pousada Sítio da Esperança

Cabana da Pousada Sítio da Esperança

Confesso que não explorei muito além disso. Já estava satisfeita com as minhas quatro paradas. E é sempre bom deixar um motivo pra voltar a lugares que gostamos, né 😉

 

  • Mirante do Morro da Borússia
  • Detalhes do Restaurante Dodô
  • Um dos ambientes do restaurante
  • Objetos e móveis antigos: a cara do Dodô
  • Capela Santa Rita de Cássia
  • Capela Santa Rita de Cássia
  • Cascata da Borússia
  • As cabanas da pousada Sítio da Esperança

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