VIAGENS | Impressões sobre a África do Sul

Cabo da Boa Esperança

Acredito que, para a maioria das pessoas, a imagem que se tem da África é de fome, pobreza e violência. Mas esqueça (quase) tudo que você ouviu falar sobre o continente, pois tive a oportunidade de viajar para a África do Sul no início do ano, para fazer um estagio em uma TV comunitária da Cidade do Cabo, e trago ótimas lembranças de lá.

Encantei-me com a diversidade cultural logo que aterrissei! É um país muito mistificado, que mexe com o imaginário das pessoas e eu mesma estava muito curiosa para conhecê-lo. O país foi colonizado por holandeses, mas pessoas de todas as partes do mundo migraram para lá por volta de 1870, atraídas pelos diamantes, por isso a mistura étnica é grande. São 11 os idiomas oficiais, sendo o inglês o mais falado, mas entre si, os sul-africanos falam os dialetos xhosa, zulu e o africâner (derivado do holandês).

Porth ElizabethEm 15 dias, passei por Joanesburgo e fiz a Rota Jardim, onde conheci as praias de Porth Elizabeth, Knysna, Storm River, Plettenberg Bay e The Crags. Depois fiquei dois meses na Cidade do Cabo para fazer o estágio. Posso dizer que conheci tanto a parte da turística quanto a parte “real” da cidade, pois visitamos desde museus até favelas – nas favelas, fui junto com amigos que moravam lá para participar de um churrasco, e não para fazer um “tour”, não considero certo invadir a privacidade das pessoas para explorar a miséria. Lá, as crianças apontavam para eu e meus amigos, espantadas por verem pessoas brancas, mas na parte mais desenvolvida da cidade, os brancos estão em maioria.

As pessoas são muito alegres e dispostas a ajudar. Difícil ver alguém de mau humor. Caminhando na rua, via pessoas sorrindo, cantando para si mesmas. Existe ainda muito preconceito, mas não entre brancos e negros, e sim em relação aos “coloured” (pessoas miscigenadas com ancestrais na África), pois depois do Apartheid, os negros conquistaram mais poder, enquanto eles ficaram excluídos. Outro grande problema é o estupro, que ocorre principalmente nas favelas. O país tem o maior índice do mundo e vi muitas campanhas para conscientizar a população sobre o crime e sobre a violência familiar.

Quanto à culinária, a comida era praticamente a mesma do Brasil. Certo dia, porém, fomos a um restaurante com comidas típicas, onde experimentamos um “oxtail” (uma espécie de rabada) e o “braai” (o churrasco deles). Os estilos de música mais ouvidos são o hip-hop e a música tradicional cantada em africâner, com muitas batucadas e gritos.

Quando contava para as pessoas que estava indo para lá, elas me perguntavam: “mas o que vocês vão fazer na África?”, com certo desprezo pelo lugar. Para elas, é um continente violento, com muita pobreza e fome. Claro que vi muito disso (principalmente na Etiópia, quando passei dois dias lá para fazer nossa escala), mas me pergunto se existe algum lugar no mundo onde não há isso. No bairro onde morava, me sentia mais segura do que na minha cidade, na Serra gaúcha, e ia a pé para todos os lugares.

Muita gente também achava que iríamos morar em uma tribo, no meio de uma savana, cercadas por animais selvagens. Sim, grande parte do território da África do Sul é formada por savanas, mas há também as grandes cidades, obviamente. A Cidade do Cabo é linda, bem desenvolvida, com uma ótima qualidade de vida e que foi apontada pelo jornal The New York Times como lugar número numero um para se conhecer em 2014.

E eu concordo totalmente! É um destino que recomendo para todas as pessoas.

Cidade do Cabo

TURISMO

Joanesburgo:

Fiquei apenas um dia na maior cidade da África do Sul. Conheci Soweto, o maior bairro da cidade, com 3 milhões de habitantes, local onde Nelson Mandela morou. Inclusive, visitei também a casa do líder sul-africano, que virou ponto turístico na região. Via o rosto do ex-presidente em cada esquina (talvez pelo fato de chegar poucos dias após sua morte) e as pessoas falavam sobre ele com tristeza. “Perdemos um pai”, disse o motorista do taxi. Também visitei o museu do Apartheid e logo na entrada, um detalhe impactante: as portas separadas para brancos e negros, mostrando como tudo era dividido durante o regime.

Rota Jardim

Viajei de Porth Elizabeth até a Cidade do Cabo de ônibus, através da famosa Rota Jardim, estrada que percorre a costa ao Sul do país. Além dessas duas cidades também conheci várias praias ao longo da rota, como Knysna, Plettenberg Bay, Storm River e The Crags.

Cidade do Cabo

Visitei a Table Mountain, o cartão postal da cidade. Subi até o topo pelo teleférico, mas também é possível chegar lá através de escaladas. Visitei a feira Old Biscuit Mill, aberta aos sábados de manhã, com artesanato, gastronomia e música ao ar livre. Fomos ao Cabo da Boa Esperança e o farol de Cape Point, e perdi o fôlego com a vista deslumbrante. Também escalei a montanha Lion’s Head, de 669 metros.

Stellenbosch

Um pequeno distrito da Cidade do Cabo, famoso pelos vinhedos do local. Visitei duas vinícolas, onde degustei alguns tipos de vinhos, cercada por uma paisagem paradisíaca. O cenário é muito parecido com o Vale dos Vinhedos, me senti de volta a Serra gaúcha.

  • Devil's peak
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