VIAGENS | Jerusalém, a Cidade da Paz

Jerusalém, com mais de cinco mil anos de história, é considerada sagrada pelos seguidores do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, as três maiores religiões monoteístas do mundo. Um centro de peregrinação de fieis o ano inteiro. Nem a violência dos extremistas afugenta os crentes da cidade que tem a paz gravada em seu nome (Yerushaláyim, em hebraico, significa Cidade da Paz).

A Nova York da antiguidade, tantas vezes invadida, saqueada, destruída e reconstruída, é uma cidade bonita, bem cuidada e – acreditem – segura. A parte antiga, cercada por muralhas, guarda tesouros históricos. Seus edifícios são recobertos por uma pedra calcária bege típica da região. Nos fins de tarde, Jerusalém se reveste de um tom amarelado melancólico, mas muito bonito.

Além dos soldados israelenses onipresentes, muita gente entre a população civil anda armada. Há uma tensão permanente no ar, por medo dos atentandos suicidas, principalmente nos lugares mais movimentados. Mas os índices de criminalidade da capital israelense são insignificantes. E a impressão que se tem é a de que, entre as pessoas comuns, árabes ou judeus, cada um cuida de sua vida em paz.

Visitei Jerusalém, muitos anos atrás, numa viagem de trabalho. Em um dia de folga, conheci os principais lugares sagrados do cristianismo. Lembro-me de que, na véspera de meu desembarque em Jerusalém, em um quarto de hotel em Tel Aviv, me perguntava qual seria minha reação ao conhecer lugares como a Via Dolorosa, por onde Jesus Cristo carregou sua pesada cruz, ou a Igreja do Santo Sepulcro, construída sobre o Gólgota, onde foi crucificado. Lugares que fizeram parte de minha infância – criado na religião católica – e dos quais jamais me esqueci. Quais seriam as emoções que experimentaria, tantos anos depois de ter deixado de frequentar a religião?

Não senti nada de muito especial, devo confessar. O calor, a aglomeração de turistas, a vigilância contra atentados e, principalmente, o intensivo comércio de souvenirs (sim, os vendilhões do Templo, expulsos por Jesus, ainda estão por lá) nas cercanias dos lugares santos causaram-me um certo desconforto. Só bem mais tarde, de volta ao Brasil, ao relembrar meus passos pela Terra Santa, acho que experimentei aquela confortável sensação de paz e segurança que sentia na igreja quando criança, ao lado de minha mãe, que era muito religiosa.

Em todo caso, não é preciso que alguém acredite na natureza divina de Cristo, ou mesmo que o carpinteiro de Nazaré tenha de fato existido, para levar a sério a revolucionária mensagem de amor ao próximo que esse personagem fascinante nos legou.

Gostou? Deixe um comentário: