VINHOS | O lugar que deu origem ao “Rei dos Vinhos”

As Langas do Barolo, são uma pequena faixa de terra que se estende ao sul da região italiana do Piemonte, cujo principal polo cultural é a pequena cidade de Barolo, lugar que deu origem ao “Rei dos Vinhos”.

A paisagem é dominadas por suaves colinas, num seguir de declives verdejantes, onde a parreira reina soberana e os vinhedos traçam curiosas formas geométricas caracterizando a bucólica paisagem. Morros que nasceram ao longo da época terciaria, as colinas de Langas possuem etimologia não definida: o termo “Langa”, de fato, poderia ser originado pela palavra “landa”, terra abandonada, ou pode significar faixa de terra. Justamente nesses dias espera-se pela decisão final da UNESCO, para incluir as Langas no restrito numero de territórios que compõem o “Patrimonio da humanidade”.

É nestas terras que é produzido um dos melhores vinhos do mundo, o Barolo, vinho de longa guarda e grande estrutura, ideal para acompanhar pratos de carnes vermelhas e queijos maduros. O varietal de onde provem é o Nebbiolo, cultivado numa região delimitada que inclui os municípios de Barolo, La Morra, Cherasco, Verduno, Roddi, Grinzane Cavour, Diano d’Alba, Serralunga d’Alba, Monforte, Castiglione Falletto e Novello.

O varietal Nebbiolo é muito antigo, cultivado no Piemonte há muitos séculos. Até a metade do século XIX, os vinhos produzidos com a uva Nebbiolo, por causa das baixas temperaturas do período posterior a colheita que interrompiam a fermentação do mosto, tinham um paladar relativamente doce, muito distante dos então já celebrados vinhos de Bordeaux e Bourgogne.

Por volta da metade do século de 1800, a Marquesa Giulietta Falletti di Barolo, pediu para o enólogo francês, Louis Oudart, chamado nas terras de Langa pelo grande estadista piemontês, o Conde Camillo Benso de Cavour, para melhorar os vinhos de sua vinícola. Após uma rápida investigação, o celebre enólogo identificou a causa nas técnicas arcaicas de produção: a fermentação não se concluía e portanto o vinho ficava instável, de sabor suave e tinha que ser consumido rapidamente. Oudart implementou algumas mudanças e os resultados convenceram o próprio Cavour que contratou a consultoria do francês para sua vinícola no Castelo de Grinzane e até o Rei Vittorio Emanuele II, converteu parte de sua propriedade de caça em Serralunga d’Alba em vinhedos de Nebbiolo, para a produção deste novo vinho. Nascia assim o Barolo, o vinho que levou o Piemonte ao mais alto nível entre os terroir enológicos do mundo.

Graças à sua grande qualidade e a indiscutível excelência, o Barolo sempre manteve uma importante presença no mercado, conseguindo reconhecimento e prestigiosos prêmios das mais importantes publicações e dos mais renomados expertos internacionais. É classificado como vinho a denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), reconhecida em 1980. Precisa afinar por um período de, no mínimo, três anos, dos quais dois pelo menos dois em barris de castanho ou carvalho. Quando afina por um período de cinco anos, pode ser classificado como Barolo Riserva. O Barolo é um vinho que pode ser envelhecido por muitos anos: quando bem armazenado pode proporcionar satisfações organolépticas até depois de sessenta anos de envelhecimento.

As Langas de Barolo ostentam também uma importante tradição gastronômica, que remonta suas raízes tanto na pobreza dos camponeses, como na abundância burguesa, do encontro destas duas opostas situações sociais nasceram grandes pratos. Ingredientes da culinária típica local são os frutos de suas colinas e das terras ao redor delas. Produto de excelência é o Tartufo Bianco (trufa branca) de Alba, principal cidade desta região, um fungo hipógeo que nasce no outono em simbiose com as raízes de plantas como o carvalho, o castanho, o salgueiro e o álamo. A busca por este precioso fungo é conduzida pelos moradores do campo que, nas horas noturnas que antecedem o raiar do dia, auxiliados pelo faro treinado de uma raça local de cachorros, percorrem os bosques da região de Langas em busca da preciosa iguaria. Um bom modo de saborear esta inigualável especialidade é servi-lo em lascas sobre o ovo frito ou acompanhando pratos mais elaborados, quais a Fonduta (espécie de fondue à piemontesa), os Tajarin (macarrão tipo fettuccine, porem muito fino) o a Carne Cruda à Piemontesa (carne crua de uma raça local de bovino, batida na faca tipo tartare).

Entre os frutos de Langa vale lembrar a avelã, denominada “Tonda Gentile” que, desde 1993 alcançou o selo de Indicação Geográfica Protegida (IGP), com o nome de Nocciola Piemonte; ingrediente principal de numerosas sobremesas, como o Torrone e a crema de chocolate (como a celebérrima Nutella, cuja sede industrial fica na cidade de Alba), esta avela possui características organolépticas diferenciadas que a tornam de qualidade superior quando comparada às demais, produzidas mundo afora.

Para terminar alguma recomendação: não esqueçam que para degustar melhor o Barolo precisa respeitar a temperatura de serviço que nunca deverá descer abaixo dos 17ºC, que precisa ser servido em copos amplos “tipo ballon” e que é necessário abrir a garrafa com algumas horas de antecedência (o tempo de abertura depende do ano de produção, em todo caso nunca deve ser inferior às três horas, mesmo nas safras mais longevas).

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