VINHO | Pinot Noir: uma realidade multifaceta.

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Comporta-se caprichosamente com frequentes mutações. Basta transportá-lo de sua região de origem, a Borgonha, onde dá os melhores resultados, que reage assumindo características completamente distintas, dando um vinho que em nada se assemelha ao modelo original.

Zona

A Borgonha é provavelmente sua terra de origem. A Pinot Noir é uma das casta mais antigas de que se tem noticias, nesta região acredita-se seja cultivado há mais de 2000 anos: com muita probabilidade já estava lá antes das primeiras invasões romanas.

Sua região de excelência, na Borgonha, é a Cote d’Or. Até a revolução francesa, a igreja e os mosteiros desenvolviam um papel muito importante naquelas terras, com relação à produção do vinho.

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Após a revolução, toda a terra que tinha pertencido à nobreza e à igreja, foi confiscada e repartida em pequenos lotes para ser dividida entre os camponeses.

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Trata-se de uma casta amplamente difundida em todas as áreas em que seja possível o cultivo da videira: na Europa, desde as regiões situadas mais ao norte até o mediterrâneo, na América, desde o Canadá até a Califórnia e o Chile, na Austrália e na África do Sul. No mundo, seu cultivo abrange cerca de 60mil hectares. Em primeiro lugar aparece a França, com a Champagne na liderança, seguida da Cote d’Or, a seguir a Califórnia.

Caracteristicas

É uma casta muito exigente, seja do ponto de vista ambiental que enológico: dá os melhores vinhos em solos calcários e em ambientes mais frios, pois sua uva amadurece precocemente.

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O aroma e o sabor do Pinot Noir

Seu bouquet é envolvente e balsâmico, de uma finesse pretensiosa e suntuosa que poucos outros vinhos conseguem exibir. Lavanda, gengibre, pimenta rosa, jasmim e hortelã que se misturam e se entrelaçam criando um afresco vibrante, fazem de acompanhamento a toques de fruta delicados; etéreo, lembrando cerejas, groselha, frutas cítricas, romãs e mirtilo. Não faltam notas de ervas aromáticas, perfume de azeitona e erva doce, mas, sobretudo notas terrosas, folhas, café e trufas. Em síntese, uma sinfonia natural de extrema elegância.

No paladar se apresenta de médio corpo, ágil, elegante, com bom frescor, álcool moderado e taninos sedosos, ótimo para acompanhar assados de carne branca, mas também file de peixe e aqui reside sua força. A facilidade com que consegue cortar as gorduras e criar uma ligação com muitos pratos sem cobrir os sabores mais delicados.

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Harmonização

Ótimo quando servido com peixe ao molho de tomate e especiarias, assado de carne vermelha, cordeiro mamão, pato, cogumelos, massa ao molho de carne branca, queijos e frios de media cura.

Conclusões
Imprevisível, fascinante, rebelde e fora dos esquemas: um autentico e simpático enfant terrible.

Roberto Rabachino
Dr. PhD. em Ciências da Alimentação e professor universitário em diversas universidades do mundo. Presidente da IWTO com sede em Nova York e da FISAR con sede em PISA. Presidente dos jornalistas italianos do setor agroalimentar (ASA) com sede em Milão. Diretor responsável da revista "Il Sommelier". Em 2016, recebeu pelo Associação Brasileira de Enologia o Troféu Vitis, o mais importante prêmio relacionado ao vinho no Brasil, durante 24ª Avaliação Nacional de Vinhos de Bento Gonçalves. Escreve sobre vinhos.

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