VINHOS | A civilização do vinho

Rinaldo Dal Pizzol

O economista Rinaldo Dal Pizzol é um filósofo do vinho. Um dos proprietários da vinícola Dal Pizzol,  juntamente com outros dois irmãos, Rinaldo não apenas elabora vinhos de alta qualidade no distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves (RS), como também reflete profundamente sobre o que chama de “a civilização do vinho”.

Leia também:
TASTING | Espumante da maturidade
VINHOS | Pinot Noir para todas as horas
VINHOS | Dal Pizzol conquista ouro e prata no Concurso Vinus 2014
VÍDEOS | Vinho novo brasileiro
DAL PIZZOL | Primeiro vinho da safra 2014
VINHOS | As paixões que cercam o vinho
NEWS | Um patrimônio no cálice e fora dele
VINHO | Dal Pizzol comemora 40 anos com assemblage especial
VINHOS | Colheita no Vinhedo do Mundo

Para o vinhateiro gaúcho, pesquisador e estudioso apaixonado da história do vinho desde o seu surgimento, no Cáucaso, há cerca de 7 mil anos, a bebida que acompanha a humanidade em sua trajetória pelo planeta é “muito mais do que  uma fonte de calorias”. Se, num passado distante, o vinho foi, de fato, um alimento saudável que garantia a sobrevivência de populações submetidas a longos e congelantes invernos, na Europa, hoje em dia ninguém mais depende desta fonte calórica para viver, pondera Rinaldo. Pelo contrário, a oferta de calorias no mundo moderno chega a ser excessiva.

Então, por que continuamos a beber o vinho e a cultuá-lo? Porque o vinho é muito mais do que uma bebida, explica Rinaldo. O vinho  está intimamente associado à religião, à cultura, à história, à convivência entre as pessoas e, principalmente, ao prazer. Em outras palavras, à civilização. Não por acaso, tradicionais regiões vinícolas da Europa, como o Douro, em Portugal, são hoje reconhecidas pela Unesco como patrimônios da humanidade.

– Ninguém viaja mais de mil quilômetros, de São Paulo até aqui, só para cheirar e beber vinho. Isso pode ser feito em São Paulo mesmo, até com mais conforto. As pessoas vêm de longe até nós em busca do que está em volta do vinho – reflete Rinaldo Dal Pizzol.

E o que cerca o vinho, na Serra Gaúcha, é a história e a cultura dos imigrantes italianos que colonizaram a região a partir da segunda metade do século 19. A gastronomia típica colonial, farta e saborosa. A arquitetura. Os costumes arraigados. A religiosidade católica. A devoção quase sagrada ao trabalho. As canções, bem como o que restou dos antigos dialetos italianos. Sem falar da mata nativa, hoje preservada, com sua rica fauna e flora, e, claro, do frio do inverno.

Um pouco de todo o encanto da civilização do vinho pode ser visto na cantina Dal Pizzol. A família preservou e mantém com cuidado ferramentas e equipamentos de trabalho de seus ancestrais. Vinhedos antigos. Uma enoteca com a coleção de seus vinhos, elaborados desde a década de 1970. O Vinhedo do Mundo, com mais de 400 diferentes variedades de videiras originárias de cinco continentes. Um parque ecológico, com animais da região. E, inaugurado há pouco, um bonito museu do vinho.

Há muito para se desfrutar, na vinícola Dal Pizzol, além dos deliciosos vinhos frescos e frutados, sem passagem por barricas de carvalho, estilo que a cantina fez questão de manter mesmo quando a moda eram caldos muito alcoólicos e madeirados. Um instituto criado pela família Dal Pizzol para desenvolver projetos culturais deve contribuir ainda mais para divulgar e perpetuar a civilização do vinho.

  • IMG_2027
  • IMG_2035

Gostou? Deixe um comentário: