VINHOS: A tradição milenar da Bourgogne

É muito difícil fazer um vinho Pinot Noir verdadeiro fora da região da Bourgogne, na França – o privilégio da exceção fica para o Estado do Oregon, nos Estados Unidos.

A afirmação é do chef e especialista em vinhos franco-brasileiro Jean Claude Cara, embaixador da Bourgogne no Brasil. Nascido no Brasil, filho de pai francês e mãe brasileira, Cara (de camisa azul, nas fotos) vive na França, de onde sai eventualmente para divulgar os vinhos de sua amada Bourgogne. Vinhos que, segundo ele, ainda se mantêm fiel à tradição cuidadosamente desenvolvida pelos monges católicos entre 500 e 1.500. Foram os monges que selecionaram as melhores uvas e os melhores terroirs da região – classificação válida até os dias atuais.

Cara e o enólogo francês Bernard Hudelot ministraram há pouco um curso de vinhos da Bourgogne na loja Vinho e Arte, em Porto Alegre. Um passeio pela maravilhosa complexidade da região vinícola francesa, uma das melhores do mundo, com seus vinhos tradicionais, verdadeiros, não tecnológicos, que hoje estão entre os mais pontuados e caros do mundo.

Algumas das declarações de Jean Claude Cara no curso:

A Bourgogne tem sua história mais remota associada aos vikings. Sobrenomes regionais terminados em T ou, principalmente, em OT, têm origem viking. Uvas com nomes terminados em T, como Pinot, também podem ser originárias da região.

A Bourgogne tem cerca de quatro mil pequenos produtores de vinhos. A maior preocupação desses produtores é manter viva a tradição de elaborar vinhos autênticos, que podem durar cem ou mais anos.

Pinot Noir verdadeiro tem de ter aroma primário de cereja. Pode ter framboesa, mas não antes de dez anos. Tem também aromas secundários de frutas confitadas. Com a idade, ganha aromas terciários de cogumelos, caça, trufa e tabaco.

Existem vinhos tradicionais e tecnológicos. 70% dos vinhos feitos hoje no mundo são tecnológicos, afirma Cara. Para diversão, ok. Para a saúde, não. Tudo que há no vinho é retirado pela tecnologia, ou, pior, acrescentado, conclui o especialista.

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