VINHOS | As obviedades que não conseguimos ver: 7 tendências do vinho

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Compreender tendências é tentar ter um olhar sincero sobre o mundo que nos cerca. O que consideramos óbvio hoje, ontem foi um mistério; o que consideramos normal hoje, amanhã pode vir a ser uma barbaridade. Nesse olhar crítico há uma tentativa de compreender o que está embaixo de nossos narizes, mas ainda não conseguimos compreender como óbvio. O problema é que o nosso olhar é distorcido por uma enorme carga de sentimentos, influenciada pelo passado e com algum temor das incertezas do futuro.

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O primeiro passo a ser dado quando se quer tratar sobre tendências é diferenciá-las das previsões. Não tendo uma bola de cristal eficaz a meu alcance, preciso olhar para o passado. Não podemos nos embriagar com o olhar da mitologia, bem como controlar o ímpeto de nossa curiosidade para não passarmos a estudar história. Estudar tendências, portanto, é observar o que aconteceu, sintetizando as informações com a atual conjuntura, e supor que o que está acontecendo seguirá o mesmo ritmo de mudanças por um breve futuro.

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Vamos, então, às tendências:

  1. A China já é um país do vinho

A primeira delas é a grande importância que China vem assumindo ao longo dos últimos anos. O seu peso é tamanho que aparece nas estatísticas oficiais da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) em todos os âmbitos: tem o segundo maior vinhedo do mundo, é o maior produtor de uvas, o sexto maior produtor de vinhos, está entre os 5 maiores consumidores e importadores – logo aparecerão nas estatísticas de exportação também. Não temos certeza do futuro, isso também é óbvio, mas é bom ficarmos atentos à China.

  1. As trocas internacionais borbulham

Só conseguimos falar da importância de um país do outro lado do globo, porque outra tendência é a internacionalização: tanto com o crescimento do comércio internacional, quanto com o incremento da troca de informações. No comércio internacional, o grande destaque são os vinhos espumantes. Se antes, Champagne exportava para o mundo e em cada local havia uma (nem sempre) razoável imitação local, a partir dos anos 1970 começa uma busca mais acentuada por identidade local. Na Espanha, Champán passa a ser Cava; na Itália, Franciacorta e Prosecco começam a ser reconhecidos; no Brasil, o nosso querido espumante. O interessante é que isso fez que os produtores desses países começassem a ser levados a sério em outros mercados e a consequência é um aumento de 25% nos negócios entre 2012 e 2016, enquanto vinhos tranquilos caíram no mesmo período.

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  1. Premiumização

Há um emaranhado de movimentos de mercado, como ondas que se sobrepõem ou se anulam. O processo de valorização de espumantes de distintas regiões vai na balada da premiumização, um neologismo vindo do inglês para designar a tendência da gastronomia de crescimento do mercado de luxo em detrimento da massificação. Incrivelmente, movimento de longo prazo e que se mostrou capaz de sobreviver a crises econômicas.

  1. Não voltaremos a beber vinhos como nossos avós

Dispostos a pagar mais e beber menos, os consumidores acabaram com o modelo de consumo de vinhos tradicional: o vinho acompanhando as refeições cotidianas despretensiosamente. O consumo per capita em países tradicionalmente produtores despencou, enquanto aumenta nos EUA, países nórdicos e China. Daí, duas consequências: as fronteiras entre Novo e Velho Mundo apagam-se: por um lado, os europeus flexibilizam as regras de suas antigas denominações de origem; do lado de cá procuramos estabelecer regiões de origem para valorizar os vinhos. Evidentemente, isso está intimamente relacionado com o crescimento da tecnologia da informação.

  1. Vinhos leves e complexos

Um sommelier mais experiente vai dizer que isso não é novidade, os ultra valorizados vinhos da Borgonha sempre foram assim. É verdade, mas o que é novo nisso é que esses vinhos passam a ser apreciados por mais pessoas, não apenas por experts. Especialmente em terra brasilis, onde reaprendemos a beber vinhos de qualidade com os chilenos – fomos habituados a valorizar vinhos super alcoólicos e com predomínio do carvalho. Hoje, a tendência se inverte e até vinhos de origem mais secas e quentes buscam frescor, leveza e complexidade.

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  1. O mundo é dos millenials

Surfamos por diversas ondas de tendências, mas ainda não nos demos conta do mar óbvio por baixo dessa espuma rasa: a misteriosa geração Y. As garotas e garotos com esse rótulo, os millenials, já não são adolescentes resmungando no ensino médio, são jovens adultos entre 18 e 35 anos. São, todos, potenciais consumidores de vinhos e estão, de uma maneira ou de outra, por trás das tendências de que tratamos até agora, mas poucas, muito poucas, vinícolas fazem algum movimento para conversar com essas pessoas.

  1. Adeus, restaurantes! Olá, internet!

Além do que já tratamos, a queda de consumo em bares e restaurantes, sendo substituído pela apreciação da bebida de Baco em casa – daí o enorme crescimento nos supermercados e compras em lojas virtuais. Mais uma consequência do comportamento desses jovens adultos. Mas ainda há tempo, já que não estão no auge do consumo, ainda. Portanto, é preciso compreendê-los melhor, afinal são curiosos, exigentes e já estão definindo os rumos do mundo do vinho. Essa é a maior obviedade com que convivemos e nem sempre somos capazes de aceitar.

*Texto originalmente publicado na Revista Bon Vivant.

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