VINHOS | Beber bem na Bretanha

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Na única região da França sem vinhedos é a sidra a bebida tradicional, produzida em tantas versões para acompanhar um cardápio completo, desde as entradas até a sobremesa e para beber ao longo do dia.

A Bretanha é famosa pela beleza de suas paisagens, especialmente ao longo do litoral, que varia de íngremes rochas a pique sobre o mar a amplas praias de areia deixadas a seco pela ação das marés. Do mar vem os produtos que caracterizam a gastronomia da Bretanha: peixes e sobretudo moluscos que são pescados ou criados, como as excelentes ostras e mexilhões, servidos crus ou apenas levemente escaldados e levados à mesa em suntuosos platôs junto com os crustáceos e demais frutos do mar.

Grill mollusk mussel
Os outros pratos típicos têm o sabor intenso dos carneiros pré-salé, que pastam perto do mar, das galhetas de trigo sarraceno que são preparadas em todo lugar e a toda hora, as crepes de farinha de trigo quase sempre doces. Ao longo da costa se recolhem as algas, desde sempre conhecidas pelas benéficas propriedades curativas e estéticas e hoje utilizadas também como ingredientes no preparo de especialidades gastronômicas. Uma gastronomia não tão celebradas como a de outras regiões da França, mas com conotação que é exaltada pela harmonização com a sidra, a antiga bebida de provável origem celta, produzida com aquilo que cresce bem e com abundancia no clima daqui, as maçã.

Carneiros pré-salé

Carneiros pré-salé

Não maçãs qualquer, mas de uma variedade cuja polpa se adapta melhor à fermentação, as diferentes variedades são misturadas para obter uma sidra com gosto e aroma diferenciado e distintos teores alcoólicos. As maçãs para sidra são colhidas no outono, bem maduras, possuem polpa aromática, levemente acida, tânica e rica de açúcares, elas são raladas ou cortadas em pedaços pequenos, a seguir prensadas sem as sementes. O mosto assim obtido é deixado fermentar e filtrado em seguida, às vezes adicionado de gás carbônico e engarrafado em garrafas escuras com a típica rolha com gaiola. A sidra pode ser tranquila ou frisante, seca ou doce. O tipo seco acompanha bem carnes brancas e produtos do mar, queijos frescos ou maturados quando produzida seguindo a verdadeira receita tradicional; enquanto as sidras doces acompanham as sobremesas, todas as harmonizações funcionam bem, tanto à mesa como na cozinha nas preparações gastronômicas. Derivados da sidra, e também submetidos a lei das denominações de Origem, são o Calvados, destilado da sidra, e o Pommeau de Bretagne, uma mistura de mostro e aguardente de sidra.

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Aromática e versátil
A sidra bretã é artesanal, mesmo se atualmente as maquinas ajudam a acelerar o processamento, é a sidra da Cornualha a primeira a obter a Denominação AOC. As zonas de produção compreendem vários departamentos e as características da sidra variam dependendo do local, assimilando as características das maçãs que ali são plantadas. Geralmente a sidra bretã tem aroma rustico rico e encorpado, ao mesmo tempo frutado e floral, com toques especiados; a cor vai do amarelo palha ao âmbar e o liquido apresenta, às vezes, leve perlage e espuma sutil. O teor alcoólico e’ de 5-6% aproximadamente. A sidra se serve refrescada, porém não fria, cerca de 10-12ºC, nas tradicionais taças ou em copos amplos. É uma bebida versátil que se adapta para todas as horas: como aperitivo, nas refeições e como bebida refrescante para matar a sede.

Creppe

Crepe da bretanha

 

rabachinoRoberto Rabachino Dr. PhD. em Ciências da Alimentação e professor universitário em diversas universidades do mundo. Presidente da IWTO com sede em Nova York e da FISAR con sede em PISA. Presidente dos jornalistas italianos do setor agroalimentar (ASA) com sede em Milão. Diretor responsável da revista "Il Sommelier". Em 2016, recebeu pelo Associação Brasileira de Enologia o Troféu Vitis, o mais importante prêmio relacionado ao vinho no Brasil, durante 24ª Avaliação Nacional de Vinhos de Bento Gonçalves. Escreve sobre vinhos.

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