VINHOS | Bergström: vinícola americana com raízes suecas e uma pitada de Brasil

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Se você fizer uma pesquisa sobre os vinhos do Oregon, é provável que se depare com o nome Bergström. Essa vinícola de uma família sueca produz vinhos com uvas provenientes de uma dezena de vinhedos diferentes, espalhados por todo o Estado e por diferentes denominações de origem (as chamadas AVAs, na sigla em inglês). Além disso, eles são conhecidos por oferecer uma linha de entrada muito boa, acessível e amplamente encontrada como “cartão de visitas” dentro e fora dos Estados Unidos. Acontece que, no esforço de mostrar que eles são uma vinícola “de todo o Oregon”, eles fazem pouco esforço para anunciar que sua sede fica localizados dentro de Ribbon Ridge. Na nossa passagem pela área, não podíamos deixar de dar um pulo lá!

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A vinícola parece dedicada à diversidade. O fundador, John Bergström, nasceu na Suécia e chegou ainda jovem na América do Norte. Ele construiu sua vida como médico e cirurgião nos Estados Unidos, onde casou e teve cinco filhos. Já com a carreira consolidada, decidiu plantar um pequeno vinhedo em Dundee Hills, para enfrentar a saudade de suas origens rurais. Ainda hoje, é possível encontrá-lo ajudando nas tarefas da colheita e seleção das uvas.

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O empreendimento ganhou força quando o filho de John, Josh Bergström, decidiu cursar enologia. Durante uma temporada na Borgonha, Josh conheceu e se apaixonou por Caroline, uma franco-brasileira que também estudava na região. Eles se casaram e fizeram um trato: se Josh conseguisse produzir, no Oregon, vinhos tão bons como os da Borgonha, eles ficariam por lá. Hoje Josh é o responsável pela produção e Caroline (foto abaixo) cuida das vendas da vinícola – o que, aparentemente, quer dizer que a aposta deu certo.

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Oportunidade de viajar pelo Oregon

Por ser mais do que uma vinícola local, a Bergström oferece uma possibilidade excelente para quem quiser conhecer uma boa variedade de estilos diferentes do Pinot do Oregon. Eles produzem em AVAs como Dundee, Yamhill-Carlton, Chehalem e Shea (um vinhedo que pertence exclusivamente a um proprietário, mas cuja exploração é feita por várias vinícolas locais), além, é claro, de Ribbon Ridge. Verdade seja dita, o Pinot que eles produzem com as uvas locais eu não provei, pois ele é um sucesso tremendo e estava esgotado!

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Qualquer que seja o vinhedo usado, a proposta deles é de produzir os vinhos ao estilo francês – isso significa entender e valorizar as particularidades do terroir local, usando agricultura biodinâmica e vinificação com leveduras naturais. O amor deles pela Borgonha está presente até nos detalhes – como a ordem de degustação dos vinhos, que começa pelos Pinots Noir, vai para os Chardonnay e somente então passa para as outras uvas tintas.

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O amor pelo Chardonnay, inclusive, é outra característica da Bergström: contrariamente a vários produtores da região, que preferem uvas como Pinot Blanc e Riesling, eles fazem questão de se dedicar a essa uva, pela relação dela com a Borgonha. Para tanto, não usam clones ou mudas importados da Califórnia, e sim variedades vindas diretamente da França (de vinhedos famosos com latitude e insolação semelhantes ao Oregon). Eles acreditam que essa seja a razão para o fracasso de outros produtores na produção de um bom Chardonnay – e, claro, para o sucesso deles com o Sigrid, um branco premium e premiado que eles vinificam.

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Vamos aos vinhos

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Quem me recebeu e fez a degustação foi Cristopher Yeatts, responsável por coordenar o atendimento e registro dos “associados” da vinícola (aqueles que se comprometem a comprar um número regular de garrafas todos os meses, em troca de descontos e vantagens). Cheguei a encontrar brevemente com a Caroline, mas ela estava de saída e não podia ficar para conversar.

Christopher me guiou pelas linhas atualmente comercializadas pela vinícola. O primeiro vinho que provei com ele foi o Cumberland Reserve Pinot Noir 2015, produzido com a denominação mais genérica da AVA Willamette Valley. É um belo vinho e recebeu 90 pontos tanto da Wine Enthusiast quanto da Wine Advocate (Robert Parker), mas achei algo leve e herbáceo para o meu gosto. Na sequência degustamos o Gregory Ranch Pinot Noir 2015, um vinhedo localizado em uma área mais fria e chuvosa, Yamhill-Carlton, perto das montanhas Cascade. É um vinho que entrega personalidade e estrutura, mas menos potente e saboroso que as outras linhas single vineyard da Bergström.

Os dois vinhos seguintes me surpreenderam muito positivamente. O Shea Pinot Noir 2015 é um vinho que usa uvas compradas de Dick Shea, dono de um vinhedo renomado de 16 hectares. Ele vende suas uvas para 22 produtores, dos quais a Bergström é o maior comprador (eles fazem 900 caixas). Esse vinho é um pinot de fruta intensa e elegante, muito equilibrado e pronto para beber, com uma acidez maravilhosa. Igualmente potente e um pouco mais complexo é o Silice Pinot Noir 2015, feito em Chehalem, com uma explosão de frutas e flores. Ambos os vinhos para mim expressam o que se pode esperar de melhor do Pinot do Oregon, custando cerca de 70 dólares.

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Na sequência experimentei os dois ícones da vinícola. O Bergström Vineyard Pinot Noir 2015, produzido a partir do primeiro vinhedo que eles plantaram em Dundee Hills, entrega uma fruta especiada e intensa, com uma complexidade de cereja licorosa e notas de farmácia deliciosas. É um dos melhores Pinots que tomei na minha viagem, mas custa 100 dólares a garrafa. Na mesma faixa de preço se encontra o Sigrid Chardonnay 2015, melhor vinho branco que provei no Oregon, proveniente de uvas do mesmo vinhedo. Com estágio de 12 meses em barrica de carvalho e contato prolongado com lias, esse é um vinho que oferece toda a intensidade do Chardonnay californiano com a elegância de um Montrachet (versão mais forte da uva feita na Borgonha).

Por último, experimentei um Shiraz inovador que eles estão testando na região, o Gargantua. É um vinho novo, produzido em pequena quantidade e que expressa um pouco da preocupação da região com o aquecimento global. Se até pouco tempo atrás produzir um Shiraz no Oregon seria considerado inviável, hoje já é possível (ainda que o resultado seja um pouco herbáceo). É um vinho que não é vendido no site da vinícola, apenas presencialmente, e vale a pena acompanhar como se sairá nas próximas safras.

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Nosso próximo post irá nos levar para a última vinícola que visitamos em Dundee Hills: Brickhouse Vineyards. A propriedade é conhecida pela produção de vinhos naturais e é considerada inovadora até mesmo para os padrões do Oregon. Com uma filosofia de intervenção minimalista na produção, os vinhos deles oferecem um exemplo perfeito de como o Oregon está se tornando a “Nova Borgonha”. Até lá!

alvaro lima, jornalista, movidoavinho

Álvaro Lima é Jornalista e Sommelier WSET nível 3. Ele atua como editor do blog Movido a Vinho e organiza degustações por meio da Confraria Anônima. A coluna é uma extensão do projeto Caminhos do Vinho, que reúne relatos de viagens por vinícolas ao redor do mundo. Com o tempo, esperamos que você possa usar as dicas desta coluna para planejar suas viagens ou escolher um vinho novo para experimentar - explorando regiões diferentes e opções que cabem no seu bolso. Compartilhe suas impressões pelo e-mail alvinho@movidoavinho.com.br

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