VINHOS | Itália: recorde de calor antecipa a vindima

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Começou a vindima dos recordes na Itália. Enquanto a Confederação dos Agricultores comemora os novos números das exportações de vinho, que registraram um aumento de 4,7% com relação ao ano passado, a seca obrigou os produtores a começar a colher cerca de dez dias antes do calendário habitual, como não acontecia desde 2007. É o primeiro efeito da seca, que é responsável também por uma queda da produção previsto de 10 a 15%, quando comparada aos 51,6 milhões de hectolitros do ano passado.

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O que determinou a queda foi o clima, marcado por um inverno seco e menos frio, com uma consequente antecipação da brotação das parreiras, essa situação levou certas regiões a sofrer com geadas tardias, que prejudicaram a produção, mas também tivemos seca persistente e episódios localizados de granizo. Muito vai depender dos meses de agosto e setembro, mas as condições atuais fazem presumir que tenhamos uma safra de qualidade boa para ótima, sobretudo naqueles vinhedos que sofreram menos com a carência hídrica e onde os produtores conseguiram intervir com irrigações de emergência. A sanidade fitossanitária das videiras se apresenta geralmente boa, o clima seco não permitiu o desenvolvimento de doenças e a graduação dos açúcares será mediamente mais elevada.

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Na Itália, a vindima parte tradicionalmente com as castas Pinot e Chardonnay, em setembro e em outubro prossegue com as grandes tintas autóctone Sangiovese, Montepulciano, Nebbiolo para terminar em novembro com as Aglianico e Nerello. A antecipação da colheita diz respeito a todas as principais tipologias, mas a situação produtiva é variada, com uma queda de 30% em Franciacorta, enquanto a causa da longa seca na produção do Chianti e de outras denominações da Toscana poderá apresentar uma queda de 20 a 30%. Uma pequena queda numa ótima safra é provável também para o Primitivo di Manduria, mas a qualidade do vinho será sempre de bom nível.
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Sob o aspecto da quantidade, 2017 será o ano da confirmação da primazia italiana sobre a França: as primeiras estimativas nos dizem que a produção francesa está em queda acentuada em comparação a 2016, num total estimado atualmente em 36/37 milhões de hectolitros, por causa das geadas tardias. Não está melhor a Espanha, onde a queda de produção fica por conta das geadas e da forte seca.

Com o começo da vindima a Itália comemora o recorde histórico das exportações de vinho, em aumento de 4,7% comparado ao ano passado, quando alcançaram 5,6 bilhões de Euro. O dado aparece após uma analise da pesquisa do Istat (Instituto Nacional de Estatística Italiano) relativa ao primeiro quadrimestre de 2017, apresentada em ocasião da colheita do primeiro cacho de uva em Franciacorta.

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Trata-se de uma excelente premissa para vindima 2017 que abrange 650 mil hectares de vinhedos, dos quais 480mil Docg, Doc e Igt e mais de 200mil vinícolas. Na Itália, se não houver nenhum imprevisto, se prevê que a produção se destine para mais de 40% aos 332 vinhos a denominação de origem controlada (DOC) e aos 73 vinhos a denominação de origem controlada e garantida (DOCG), 30% para os 118 vinhos a indicação geográfica típica (IGT) reconhecidos pela lei e o restante 30% para vinhos de mesa. O vinho italiano cresceu de conceito apostando na própria identidade com uma decisiva guinada em direção da qualidade que permitiu alcançar inúmeras conquistas mundo afora.

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A vindima na Itália põe em funcionamento um motor econômico que gera mais de 10,5 bilhões de Euro de faturamento, apenas com a venda do vinho e oferece oportunidades de emprego no setor para mais de 1,3 milhão de pessoas.

rabachinoRoberto Rabachino Dr. PhD. em Ciências da Alimentação e professor universitário em diversas universidades do mundo. Presidente da IWTO com sede em Nova York e da FISAR con sede em PISA. Presidente dos jornalistas italianos do setor agroalimentar (ASA) com sede em Milão. Diretor responsável da revista "Il Sommelier". Em 2016, recebeu pelo Associação Brasileira de Enologia o Troféu Vitis, o mais importante prêmio relacionado ao vinho no Brasil, durante 24ª Avaliação Nacional de Vinhos de Bento Gonçalves. Escreve sobre vinhos.

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