VINHOS | Malbec: com a bola toda

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Nenhum apreciador de vinhos parece resistir aos encantos de uma nova região, uma nova cepa ou uma garrafa com etiqueta diferente. Nesse cenário, os produtores procuram manter suas vendas lançando novas marcas, novas variedades, melhorando as garrafas, trocando as etiquetas, trocando rolhas por roscas, enfim … tentam por todos os meios, ajustar-se as tendências para não perder espaço no mercado. Fora essas ferramentas – que quase toda empresa aplica – o mundo do vinho tem um fator que foge do controle dos produtores: eu gosto de chamar-lo de a “a bola da vez”. Um vinho torna-se uma “bola da vez” quando todos os consumidores reconhecem, desejam e adquirem esse vinho devido a uma tendência quase inerte do mercado. De repente, todos os olhos miram para a mesma garrafa.

Algumas “bolas” já aconteceram, de forma rápida e passageira. É o exemplo do vinho de garrafa azul que invadiu o Brasil na década de 90; ou o Romanée Conti com o qual o Duda e Lula comemoraram a vitoria em Brasilia. Tão breve e brilhante como um raio foi também a fama do Pinot Noir da California após o belo filme Sideways. Em resumo, existem muitos exemplos de “bolas” rápidas e fugazes.

Mas devemos reconhecer que “a bola” do Malbec de Mendoza é diferente. De forma consistente e já por mais de cinco anos, o Malbec vem conquistando mercados de forma exponencial. Qual o segredo? Nem os próprios produtores de Mendoza entendem os verdadeiros motivos que fizeram da Malbec a “bola da vez”. Alguns deles consideram que a febre pelo Malbec nos Estados Unidos já deveria ter passado. Pensaram em diminuir a produção de Malbec antecipando uma queda nas vendas, mas nada disso aconteceu. Ao contrario. No meio da crise mundial de 2009 as vendas só aumentaram, tanto em America quanto em Asia. Até no Brasil, O Boticário – maior rede de lojas de cosméticos do país – lançou um perfume e uma campanha publicitária milionária com o nome Malbec.

Existem razões alem da inércia inexplicável dos mercados. As condições de Mendoza são excepcionais. O clima seco, a altitude, a pouca umidade, a irrigação proveniente da água dos Andes, a geologia. Todos esses fatores permitem elaborar vinhos econômicos de grande qualidade. A Malbec é “bola da vez” porque é uma uva fácil de entender, que cai bem no paladar universal e; em Mendoza, oferece vinhos com custo beneficio que nenhum outro País ou região do mundo consegue hoje igualar. Malbec é a “bola da vez” com total justiça. É beber para crer.

* Max é argentino com alma brasileira e apaixonado por vinhos

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