VINHOS | Passito de Pantelleria: um paraíso em terras de Sicília

A história da produção do Passito de Pantelleria tem mais de dois mil anos. Já em 200 a.C. Magone, general do exercito de Cartago, descrevia assim como se dava a produção do antepassado do atual Passito de Pantelleria: “Colhiam-se os cachos maduros, tendo o cuidado de retirar aqueles eventualmente mofados, a seguir se estendiam ao sol sobre esteiras, cuidando de protegê-los do orvalho, cobrindo-os nas horas noturnas”.

Este vinho é realmente produzido há tempo imemorável na ilha de Pantelleria, na Sicília, com o varietal Zibibbo e conta uma história repleta de importantes acontecimentos. Premiado em 1900 em ocasião da Exposição de Paris, em 1936 foi inserido entre os vinhos típicos italianos por seu “aroma delicado e fino e por seu sabor aveludado, doce, agradável e generoso”, já em 1971 foi o terceiro entre os vinhos sicilianos a conseguir a DOC.

Sua qualidade absoluta alimentou durante anos curiosas lendas, como aquela da Dea Tanit que se disfarçou de copeira dos deuses e substituiu a ambrosia, bebida habitual do Olimpo, com o mosto dos vinhedos de Pantelleria, conseguindo assim a conquistar Apollo, pelo qual estava apaixonada.

As fases da produção

A colheita da uva é exclusivamente manual. O meado do mês de Agosto é o período ideal para vindima: as áreas precoces são as mais aptas para a passificação, de forma a disfrutar das altas temperaturas de fim de verão. Os cachos colhidos são postos, em princípio, em caixas de madeira. A seguir os cachos são postos a secar nas esteiras, em lugar ao sol e bem arejado, onde são virados várias vezes para obter uma passificação homogênea. Esta fase dura entre 1 e 4 semanas. Dependendo do tempo de secagem o peso da uva, por causa do calor e do vento, fica reduzido em até 75%, enquanto a concentração de açúcares varia de 25 a 55%.

A uva passa é mergulhada no mosto fresco em fermentação: produto resultante de uma segunda colheita. O bago seco pode reidratar-se em contato com o mosto e ceder assim todos os açúcares. A fermentação é interrompida após cerca de um mês, baixando a temperatura para 4 – 5°C. A prensagem pode acontecer exclusivamente após um período de cerca de oito semanas de passificação. Geralmente são utilizados três distintos períodos, fim de Dezembro, Fevereiro ou, no mais tardar, na Semana Santa. Vale lembrar que estamos na Itália, no hemisfério norte, onde as estações são o oposto do Brasil.

O afinamento depois da prensagem dura de 15 a 18 meses. Este processo é finalizado na garrafa por outros seis meses antes de ser posto em comércio. Este vinho é produzido nas tipologias Branco, Moscato, Passito, Moscato Dourado, Moscato Licoroso, Moscato Spumante, Passito Licoroso e Zibibbo Doce.

Degustação

É um vinho que encanta já no olhar, enquanto enfeita as paredes do copo com elegante e aveludada suavidade, como uma luva que veste uma mão macia. A cor é amarelo dourado, com reflexos âmbar. Ao aproximá-lo ao nariz não podemos ficar indiferentes a tanta intensidade aromática. Riqueza e harmonia casam-se com notas de damasco, cedro, marzipã, bergamota e casca de laranja cristalizada.

Procurando com mais atenção, encontraremos também ervas aromáticas tipicamente mediterrâneas, como alecrim. Na degustação logo aparece uma vibrante acidez, que sustenta a doçura do vinho e realça seus sabores, de casca de panetone e uva passa. Envolvente, elegante, com uma persistência aromática muito longa e um retrogosto extraordinários. A temperatura de serviço é de 8/10°C, e a taça, uma tulipa estreita e baixa.

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