VINHOS | Quanto custa uma baga do Grand Cru Romanée Conti

O Domaine da Romanée Conti possui uma história tão envolvente e fascinante, quanto preciosa e inalcançável é a grandeza da fama que lhe é reconhecida até hoje. É o oxigênio puro de cada degustador de vinho. É emoção, é adrenalina em seu estado mais puro. Caminhar entre as videiras de Vosne Romanée é uma experiência inesquecível. Pisar cada centímetro quadrado daquele solo nos dá a sensação de estar caminhando na lua.

Após esta fluorescente promessa, voltamos com os pés no chão. Já se perguntaram quanto pode custar uma única baga que pertença a um cacho de Pinot Noir colhido no Grand Cru Romanée Conti, de propriedade exclusiva, logo Monopóle, do Domaine de la Romanée Conti? Começamos dizendo, de forma clara e simples, que o vinho é matéria muito estranha, sobretudo se analisado sob o aspecto puramente econômico. Uma baga de Pinot Noir, que possua tão aristocrática procedência, custa cerca de US$ 21.

Exatamente senhores, leram bem, não foi nenhum erro de digitação ou de impressão, lembrando que estamos falando de uma baga, não do cacho inteiro. O calculo tem como base a cotação média da garrafa de Romanée Conti que alcança um valor de cerca de US$ 11 mil e o peso médio de uma baga de Pinot Noir de cerca de duas gramas. É matemática, senhores, a ciência exata por definição, cálculo frio e incontestável.

Para compreender melhor o contexto geral, vamos agora comparar o preço da baga deste valorizado Pinot Noir com a do piemontês Nebbiolo da Barbaresco do mítico Angelo Gaja. A baga do plebeu italiano de Langa custa reles US$ 0,05, 420 vezes menos! 420 vezes mais barato! Impressionante, não?

E o terreno? Quanto custa o terreno dos Grand Crus? Na Langa piemontesa, recém-alçada a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, no ano passado foi negociado um lenço de terra do Cru Brunate (entre as comunas de La Morra e Barolo), pela vertiginosa cotação de US$ 2 milhões por hectare. É noticia confirmada que nos mais célebres Grand Cru de Borgonha já não se avalia mais o terreno com base na superfície plantada, mas sim atribuindo um valor especifico para cada parreira.

Pois bem, estamos falando de US$ 4 mil por planta! Pensando que a densidade de plantio gira em torno de 10 mil plantas por hectares, o valor de mercado do hectare – hipotético, porque ninguém jamais vai conseguir comprar um inteiro – é de US$ 40.000.000,00! (Quarenta milhões! Em letras e por inteiro para não se enganarem com o elevado número de zeros; o dedo não ficou preso no teclado, não!), esta bagatela por míseros 10.000 metros quadrados!

Concluo com algumas simples considerações pessoais e um conselho:

1. Não acredito que nada no mundo possa justificar um valor tão alto a se pagar por um vinho.

2. Fala-se muitas vezes que uma das razões para tomar um pileque é para esquecer algo ruim. Daí vai o meu conselho para quem vai beber um Romanée Conti de US$ 10 mil: podem encher a lata, o caneco, tomar um porre; apenas lembrem de pagar a conta antes de começar…(e após ter chamado um táxi para voltar para casa)!

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