VINHOS | Uma feira para explorar os sentidos

Caminhar pelos corredores da Expovinis, em São Paulo, requer atenção e disciplina. A maior feira de vinhos da América Latina recebeu, durante três dias na semana passada, mais de 10 mil pessoas. Para onde se olhe há vinhos. Importadoras e produtores de vinho de vários países mostraram ao público seus melhores rótulos. Entre uma taça e outra é possível degustar de tudo, desde um leve e refrescante rosé da Provance, na França, até excelentes brancos e moscatéis da África do Sul.

Para não se perder é preciso ter foco. Nossa aventura pelo mundo de Baco começou num dos berços da bebida: a França. Este ano a Agência Francesa, que organiza o estande, trouxe para a feira os “vignerons”, os chamados vinheteiros da Champagne. A ideia era apresentar aos brasileiros rótulos de pequenas propriedades, que cultivam as próprias uvas e controlam todo o processo de produção.Uma das vinícolas presentes era a Georges de la Chapelle. Graças a doação de terras de um tio, o casal de viticultores Yveline e Alain Prat produz champagne há 40 anos. Os vinheteiros foram premiados com o TOP TEN, da Expovinis, na categoria melhor espumante importado com o rótulo Nostalgie. Um champagne intenso, com notas de pão tostado, ideal para ocasiões especiais.

Como passar pelo estande da França sem provar os deliciosos rosés da Provance? Estes vinhos encantam o mais distraído dos enófilos. De longe, é possível ver aquelas garrafas rosés, cheias de charme. Fomos direto à vinícola vencedora do Top Ten. Como o vencedor na categoria rosado, o Saint Sidoide Côte de Provence Rosé 2014 , já tinha acabado depois que todos correram para degustar os premiados, provamos outros rótulos igualmente encantadores.

Da França para Portugal. No estande do Alentejo, aulas cheias de informações e vinhos com personalidade. As provas foram conduzidas pelo jornalista português e especialista em vinhos, Rui Falcão. Os vinhos do Alentejo representam 43% dos rótulos consumidos em Portugal. A maior Denominação de Origem do País ocupa um terço de área do território português. Com vinhos espalhados por uma área tão extensa, é possível encontrar diferentes climas na mesma região. Dos vinhos de altitude, às áreas com muita ou pouca chuva, e até vinhedos próximos ao mar.

Com Rui Falcão aprendemos que os produtores portugueses preferem fazer vinhos de cortes. Vinhos monovarietais (com apenas uma casta) não são tão comuns. Quando o rótulo requer apenas um uva, a mais usada é Antão Vaz. “A alma do vinho português é dar um corte, para que cada uva dê um toque ao vinho”, explicou o jornalista.

No estande brasileiro encontramos o melhor dos nossos vinhos. Rótulos premiados, como o espumante Aracuri Brut Chardonnay 2013, dos Campos de Cima da Serra, vencedor na categoria melhor espumante nacional no Top Ten da Expovinis. Tintos da campanha, como o lançamento da vinícola Guatambu, o rótulo Épico, e o vencedor da categoria melhor tinto nacional, o Valmarino Cabernet Franc Ano XVIII 2012, da Serra Gaúcha, eram procurados por todos que passavam pelo estante do Ibravin. Uma produção para dar orgulho.

A Vinícola Aurora, da Serra Gaúcha, levou para a feira quatro novos rótulos. Pequenas Partilhas – Notáveis da América, traz nos rótulos uvas emblemáticas de países como Argentina (Malbec), Uruguai (Tannat), Chile (Carmenère) e a Cabernet Franc representando o Brasil. Os vinhos foram feitos nos países de origem, mas foram totalmente conduzidos, do vinhedo à garrafa, por enólogos da Aurora. Destaque para o Tannat e o Malbec, que ficaram com a alma brasileira.

Foi um passeio encantador pelo mundo do vinho. Diferentes culturas, diferentes formas de ver o vinho, mas todos com a mesma paixão por esta bebida incrível.

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